NewsHub
Brasil

Investir em prevenção no trânsito reduz custos e salva vidas

Estudo e levantamentos apontam que investir em prevenção e infraestrutura viária no Brasil pode evitar dezenas de milhares de mortes e gerar bilhões em economia.

Redação•17 de set. de 2026, 15:56
Investir em prevenção no trânsito reduz custos e salva vidas
Imagem: site

Investir em prevenção no trânsito reduz custos e salva vidas

Ouça esta matéria em voz alta

Sinistros de trânsito geram impactos que ultrapassam o local das ocorrências, pressionando hospitais, o Sistema Único de Saúde (SUS) e a Previdência Social, além de comprometerem a renda familiar e a capacidade produtiva do país. De acordo com um estudo do Ipea sobre custos hospitalares, perda de produção, danos materiais e despesas institucionais, o Brasil tem uma perda anual de aproximadamente R$ 50 bilhões em decorrência desses eventos. O custo médio de cada ocorrência para a sociedade é de R$ 261.689, valor que sobe para R$ 664.821 quando há vítimas fatais.

Um levantamento realizado pela consultoria Imtraff Mobilidade e Engenharia, sob a coordenação do doutor em Engenharia de Transportes Frederico Rodrigues em parceria com o Observatório, aponta que a instalação direcionada de dispositivos de baixo custo e segurança — como postes flexíveis com sistemas de contenção lateral ou sonorizadores — pode evitar mais de 50 mil mortes e 600 mil feridos nas rodovias brasileiras. A estimativa é que essa medida proporcione uma economia de até R$ 90,3 bilhões em cinco anos aos cofres públicos, embora os resultados dependam de premissas de custo, extensão e eficácia dos equipamentos.

O debate sobre infraestrutura rodoviária no país frequentemente se limita à qualidade do pavimento. Dados mostram que 64,4% das vias sob gestão pública apresentam algum problema no asfalto, elevando os custos operacionais em até 35,8% e gerando um desperdício estimado em R$ 7,2 bilhões por ano apenas com o consumo adicional de cerca de 1,2 bilhão de litros de diesel. No entanto, especialistas apontam que estradas seguras exigem medidas que vão além da pavimentação, orientando motoristas, separando fluxos e perdoando erros humanos para evitar tragédias.

Os dados oficiais reforçam a gravidade do cenário. Em 2025, a Polícia Rodoviária Federal registrou 6.044 mortes e 72.483 sinistros em rodovias federais. A Pesquisa CNT Rodovias identificou 23.042 ocorrências de saídas de pista e capotamentos, além de 4.739 colisões frontais. Outro levantamento, da Fundação Dom Cabral, indica um crescimento de 9% nas ocorrências em rodovias federais entre 2018 e 2024, sendo que 52,38% dos casos ocorreram em pistas simples, enquanto as colisões frontais apresentaram a maior taxa de severidade, com 18,33%.

Para os especialistas Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária, e Frederico Rodrigues, CEO da Imtraff e membro do comitê técnico do Observatório, a questão central reside na priorização de recursos e no planejamento embasado em evidências. Integrar bases de dados, direcionar investimentos para trechos críticos e incorporar a segurança viária aos processos de orçamento, concessão e fiscalização são apontados como caminhos essenciais para reduzir a pressão sobre a saúde pública e a proteção social, salvando vidas de maneira eficiente.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/infra/prevenir-custa-menos-que-remediar-e-ainda-salva-vidas/

Compartilhar