A agência de notícias oficial iraniana, a Irna, informou nesta segunda-feira, 28, que não existem negociações programadas entre o Irã e os Estados Unidos neste momento. A declaração ocorre apesar de o presidente americano, Donald Trump, ter sugerido que os diálogos poderiam ser retomados rapidamente.
De acordo com a Irna, citando uma fonte próxima à delegação presente em Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas, os representantes iranianos não têm a intenção de negociar com Washington.
No entanto, no domingo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, pontuou que uma solução negociada entre os envolvidos representa o único caminho para encerrar o conflito armado. A guerra teve início em fevereiro após ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o território iraniano.
A manifestação de Araqchi ocorreu após Donald Trump rejeitar a proposta mais recente apresentada pelo governo iraniano para a reabertura do Estreito de Ormuz, rota de grande importância para o comércio internacional de petróleo. Pelos termos apresentados na sede da ONU, em Nova York, o estreito seria reaberto em sete dias após a implementação de um acordo. Araqchi destacou nas redes sociais que as condições do país são claras, condicionando o movimento ao cumprimento de tais exigências e afirmando que somente uma solução negociada resolverá o impasse.
Ao recusar a proposta, o presidente americano alegou que Teerã busca um acordo imediato para a abertura da rota devido a perdas expressivas de terreno. Segundo o jornal The Wall Street Journal, Trump demonstrou ceticismo quanto ao cumprimento das demandas norte-americanas pelo Irã e avaliava retomar a campanha de bombardeios após as eleições de meio mandato, marcadas para 3 de novembro. Apesar disso, autoridades ouvidas pelo veículo indicaram que o mandatário reluta em iniciar grandes operações de combate para preservar estoques de munição para outras contingências.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou que cabe aos Estados Unidos definir se desejam encerrar ou estender a guerra. Em entrevista à emissora Fox News na noite de quinta-feira, 24, Pezeshkian afirmou que Teerã não deseja prolongar o conflito iniciado em fevereiro e que a guerra foi imposta ao país, instigada por Israel. O líder iraniano também questionou a quebra do cessar-fogo estabelecido em junho e enfatizou que o governo aceita dialogar desde que os termos respeitem o direito internacional, ressaltando que, fora dessas estruturas jurídicas, o calendário das eleições legislativas americanas não faz diferença para o país.
