NewsHub
Mundo

Irã planeja estender conflito com os EUA até eleições de meio de mandato

Segundo especialista, Irã avalia prolongar conflito com os EUA até as eleições de midterms caso mantenha fluxo de caixa.

Redação•24 de set. de 2026, 06:40
Irã planeja estender conflito com os EUA até eleições de meio de mandato
Imagem: site

Irã planeja estender conflito com os EUA até eleições de meio de mandato

Ouça esta matéria em voz alta

Interlocutores iranianos estariam avaliando estender o confronto com os Estados Unidos até a conclusão das eleições de midterms, de acordo com a análise de Thiago de Aragão, CEO da Arko Advice Internacional, apresentada ao programa WW. A avaliação ocorreu no âmbito do encontro entre o presidente americano, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, realizado na quarta-feira (23), que teve como temas centrais minerais críticos e parcerias estratégicas. Segundo o especialista, o planejamento do Irã baseia-se na projeção de um revés expressivo para a ala ideológica de Trump no pleito legislativo de meio de mandato.

“O consenso era esse, de que a perspectiva de estender essa guerra até o fim dos midterms por parte dos iranianos era algo real e algo que eles cogitariam aplicar isso, desde que eles tivessem um fluxo de caixa que permitisse”, pontuou Aragão.

China atua como sustentáculo financeiro

O suporte econômico fornecido pela China ao governo iraniano foi apontado por Aragão como um fator primordial para viabilizar essa tática. Conforme a análise, após o fim do acordo pactuado durante a gestão Obama entre os integrantes permanentes do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha — o P5+1 —, o Irã enfrentou uma situação financeira delicada. Nesse contexto, Pequim articulou com Teerã um modelo de permuta envolvendo petróleo em troca de linhas de crédito e mercadorias, inclusive de nações ligadas à Rota da Seda.

“Esse fluxo de caixa se chama China, em alguma medida também se chama Rússia”, afirmou o especialista. De acordo com ele, tal financiamento viabilizou a recuperação da estabilidade interna da Guarda Revolucionária e dos vínculos com facções como o Hezbollah, no Líbano, e os Houthis, no Iêmen, ambos subsidiados pelos iranianos e apontados como vetores de instabilidade para Israel e para os Estados Unidos na área.

Estratégia de desgaste e cenário político

De acordo com Aragão, o governo do Irã identificou que prolongar um conflito sem prazo definido representa um obstáculo central para a política externa de Donald Trump. O especialista frisou que a capacidade de destruição imposta pelos Estados Unidos ao território iraniano possui limites, visto que ataques contínuos eventualmente atingiriam áreas civis, gerando elevado custo político para Washington. Diante desse panorama, o desgaste decorrente da guerra afetaria a imagem de Trump, em especial perante o eleitorado americano, que, segundo o especialista, demonstra pouca afinidade com conflitos armados.

O CEO da Arko Advice Internacional relatou ainda ter dialogado, em uma capital europeia, com representantes diplomáticos do Irã, do Omã, da Arábia Saudita e de outras nações do Oriente Médio. Em sua avaliação, o cenário para negociações seria mais favorável após as eleições de meio de mandato, reduzindo a margem de interferência de Trump caso o presidente perca força política com o desfecho da votação.

“Isso possibilita que o Irã vá estendendo e aguentando o impacto, que não é fácil, mas o impacto econômico e físico dessa guerra”, concluiu Aragão.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/ira-quer-prolongar-conflito-com-eua-ate-midterms-diz-especialista/

Compartilhar