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Irã recebe resposta dos EUA sobre proposta para encerrar guerra

O Irã informou ter recebido resposta formal dos EUA sobre proposta de paz, enquanto Washington concluiu retirada de tropas do Iraque.

Redação•02 de out. de 2026, 11:30
Irã recebe resposta dos EUA sobre proposta para encerrar guerra
Imagem: site

Irã recebe resposta dos EUA sobre proposta para encerrar guerra

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O governo do Irã informou na quarta-feira, 30, ter recebido uma resposta formal dos Estados Unidos referente à proposta apresentada por Teerã para cessar o conflito armado e retomar os entendimentos diplomáticos. A mensagem americana foi transmitida por meio de mediadores do Catar, mas o seu conteúdo exato não foi revelado publicamente.

De acordo com informações da agência de notícias estatal Irna, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, repassou a resposta oficial ao presidente Masoud Pezeshkian durante uma reunião ministerial. Uma fonte ouvida pela agência Reuters detalhou que o material havia sido entregue ao chanceler na terça-feira, 29, em Doha, durante escala do ministro após sua participação na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. A movimentação diplomática ocorre após declarações do presidente americano indicando ter rejeitado o plano iraniano mais recente, embora Araghchi tenha ponderado anteriormente que Teerã ainda não havia recebido uma recusa oficial.

Detalhes da proposta iraniana e o Estreito de Ormuz

O plano colocado na mesa pelo Irã propõe um roteiro de sete dias focado na diminuição das hostilidades e na reabertura do Estreito de Ormuz, considerado uma das rotas marítimas mais vitais do planeta e rota de escoamento de cerca de um quinto do petróleo e gás global antes do conflito. Para liberar a passagem, Teerã exige que Washington atenda a condições como o fim do bloqueio naval aos portos iranianos, a suspensão de sanções aplicadas ao setor petrolífero e a efetivação de um cessar-fogo que abranja também o território do Líbano. Somente após isso o governo iraniano normalizaria o fluxo no estreito e retomaria as conversas sobre o seu programa nuclear.

A iniciativa funciona como uma versão acelerada do entendimento provisório alcançado em junho — o Memorando de Entendimento de Islamabad, composto por 14 pontos —, que estancou temporariamente os combates antes de ruir em julho devido a divergências sobre a administração marítima e o programa nuclear. Atualmente, o impasse reside sobretudo na ordem de execução das medidas previstas no estreito, artéria logística que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e é utilizada por exportadores energéticos como Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Catar. Apesar do tráfego ligeiramente maior nas últimas semanas, os volumes seguem deprimidos e a navegação mercante continua vulnerável a ataques.

Cenário de conflito e retirada militar no Iraque

Iniciado em fevereiro deste ano após uma ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o conflito entrou em seu oitavo mês pressionando a economia global de energia. O bloqueio naval e as sanções intensificaram a crise financeira iraniana, ao passo que o fechamento parcial de rotas elevou os preços internacionais, com o barril do tipo Brent superando a marca de US$ 100 em setembro. Enquanto Donald Trump adota uma estratégia de pressão máxima e avalia novas operações militares após as eleições legislativas de novembro, o governo iraniano tenta utilizar o controle de Ormuz como instrumento de barganha.

Paralelamente aos desdobramentos diplomáticos, os Estados Unidos finalizaram na mesma quarta-feira a retirada de seus efetivos militares remanescentes do Iraque. Acordado em 2024 sob a gestão de Joe Biden e executado pelo governo Trump, o desinvestimento encerra uma presença iniciada na invasão de 2003 e retomada em 2014 para combater o Estado Islâmico. O Iraque tem funcionado como palco central de disputas geopolíticas na região, abrigando milícias aliadas a Teerã que protagonizaram ataques contra posições norte-americanas desde o início da guerra.

Fonte: https://veja.abril.com.br/mundo/o-suspense-em-torno-da-resposta-dos-eua-sobre-proposta-iraniana-para-encerrar-guerra/

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