O governo do Irã sinalizou preparativos para uma possível nova rodada de conflito com os Estados Unidos, emitindo alertas públicos contra Washington e aliados regionais em uma tentativa de dissuadir o presidente americano, Donald Trump, de retomar as hostilidades iniciadas em fevereiro.
Comandantes militares iranianos intensificaram declarações no último mês, afirmando que o país acumulou grandes estoques de armamentos novos, projetados para atingir alvos fora da região caso os Estados Unidos reiniciem os ataques. Entre as opções mencionadas por autoridades iranianas estão o corte de cabos submarinos de internet, ataques a centros de dados de inteligência artificial e investidas contra instalações de petróleo e gás.
“O mundo ficará impressionado”, declarou Hossein Mohebbi, porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã, no final do mês passado, acrescentando que o grupo preparou-se para um conflito prolongado.
A guerra, iniciada há quase nove meses por EUA e Israel contra o Irã, encontra-se estagnada em um impasse. Enquanto Washington aponta danos causados ao regime iraniano, Teerã destaca sua própria sobrevivência. Paralelamente, a administração de Donald Trump segue avaliando medidas econômicas e militares para forçar a capitulação iraniana.
População em alerta e planos dos EUA
Em Teerã, moradores relatam o temor diário diante da expectativa de novos bombardeios. Cidadãos sob condição de anonimato descreveram rotinas de preparação com estoques de água e baterias carregadas, além da apreensão constante sobre o recrudescimento dos ataques.
Do lado americano, assessores da Casa Branca discutiram opções estratégicas em reuniões recentes. Embora Trump tenha afirmado publicamente que não adotará novas medidas antes das eleições de meio de mandato, assessores indicaram em caráter privado que o cronograma pode mudar até o pleito em 3 de novembro. Militares dos Estados Unidos desenvolveram planos de ataque que preveem o uso potencial da bomba GBU-43/B Massive Ordnance Air Blast Bomb (MOAB), conhecida como a "mãe de todas as bombas", para atingir instalações nucleares e de infraestrutura energética.
O comandante do exército iraniano, Alireza Sheikh, classificou os planos americanos como ferramentas de propaganda e afirmou que o povo iraniano é "o pai de todas as bombas". Além disso, o Irã sinalizou uma doutrina militar mais ofensiva, realizando exercícios com dezenas de mísseis balísticos.
Riscos na Europa e na região
Farzin Nadimi, pesquisador sênior do The Washington Institute, apontou que, em um cenário de alta escalada, o Irã poderia testar mísseis de longo alcance contra forças americanas na Inglaterra ou no centro logístico de Ramstein, na Alemanha. Recentemente, os EUA transferiram bombardeiros de longo alcance do Reino Unido de volta ao território americano após prisões efetuadas pelo governo britânico ligadas a um suposto plano iraniano de ataque à base aérea.
Especialistas como Ali Vaez, do International Crisis Group, alertam que as medidas de dissuasão de Teerã podem ser interpretadas em Washington como provocações, aumentando a probabilidade de um novo confronto amplo. Na região do Golfo, autoridades dos Emirados Árabes Unidos — país que registrou milhares de interceptações de mísseis e drones iranianos no início do conflito — afirmaram estar mais preparadas para defender sua segurança nacional caso os combates sejam retomados.
