A Islândia rejeitou, em referendo realizado no último sábado (30), a retomada das negociações para adesão à União Europeia (UE). Segundo resultados finais divulgados pela emissora pública islandesa RUV, 52,8% dos eleitores votaram contra a proposta, enquanto 47,2% foram favoráveis. A participação foi de 82,5%, superior à de eleições parlamentares anteriores.
Reação do governo e da UE
A primeira-ministra islandesa, Kristrun Frostadottir, afirmou que o governo não retomará as negociações durante esta legislatura, que se estende até 2028. "Quero ser absolutamente clara: este governo não retomará as negociações de adesão durante esta legislatura", declarou. Frostadottir, que havia apoiado a retomada, classificou o resultado como "uma vitória para a democracia".
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que a UE "respeita plenamente a escolha democrática" dos islandeses. Um porta-voz destacou que a Islândia continua sendo "um dos parceiros mais próximos e confiáveis" do bloco, mesmo sem adesão formal.
Contexto e impactos
A Islândia solicitou a adesão à UE após a crise financeira de 2009, que afetou sua economia fortemente exposta a hipotecas subprime americanas. As negociações foram suspensas em 2013 com a ascensão de um governo eurocético. O referendo, embora não vinculativo, foi promovido pelo governo atual para avaliar a opinião pública sobre uma integração mais profunda.
A pesca, que representa quase 40% das exportações islandesas, foi um dos principais pontos de discórdia. A Islândia busca manter o controle exclusivo sobre suas cotas, recusando-se a cumprir as regras da UE. Bruxelas, por sua vez, se mostrou disposta a buscar "soluções criativas" para acomodar as demandas islandesas.
A adesão da Islândia teria sido vista como um sinal positivo para a política de ampliação da UE e fortalecido sua presença no Ártico, região cada vez mais estratégica. Um resultado favorável também poderia ter reacendido o debate na Noruega, outro país próspero e relutante em aderir ao bloco.
Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/islandia-rejeita-retomar-negociacoes-de-adesao-a-uniao-europeia/
