Israel realiza nesta quarta-feira, 7, atos de homenagem e protestos em mais de 400 locais para marcar a passagem de três anos dos ataques liderados pelo grupo palestino radical Hamas. A invasão ocorreu na madrugada de 7 de outubro de 2023, resultando na morte de cerca de 1.200 pessoas — incluindo 384 vítimas no festival de música Nova, situado a aproximadamente 5 quilômetros da fronteira com a Faixa de Gaza. Na ocasião, os radicais sequestraram 251 reféns.
Segundo os dados divulgados, 28 dos reféns morreram em cativeiro no enclave e três foram mortos por engano pelas forças israelenses. Parte dos capturados permaneceu sob o controle do Hamas até um cessar-fogo implementado em 10 de outubro do ano passado. O acordo permitiu a libertação de 20 reféns vivos, em troca da soltura de 1.968 palestinos de prisões em Israel, a maioria sem acusações formais.
As homenagens começaram pela manhã com um minuto de silêncio nacional no horário exato em que a ofensiva teve início. Ao meio-dia, familiares de vítimas, universidades, hospitais, empresas e grupos da sociedade civil também observaram um minuto de reflexão. Solenidades foram programadas para ocorrer na Floresta de Re’im, local do festival Nova, além de outras regiões do país. Uma grande cerimônia nacional está prevista para a noite em Tel Aviv, com expectativa de dezenas de milhares de participantes, organizada pelo movimento “Kumu” (“Levante-se”), liderado por sobreviventes e familiares.
A maior parte dos eventos possui iniciativa popular e também serve como plataforma para exigir a abertura de um inquérito que investigue a condução da guerra pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Até o momento, o premiê resiste aos pedidos e não nomeou comissões especiais para apurar as falhas de segurança do dia do ataque.
O primeiro-ministro enfrenta questionamentos adicionais e responde a julgamento por corrupção. Reportagem publicada no ano passado pelo jornal americano The New York Times apontou que o chefe de governo teria prolongado o conflito sob influência da extrema direita para se manter no poder, priorizando a própria permanência no cargo em detrimento do retorno dos reféns e do elevado número de palestinos mortos. Críticas diretas também partiram de ex-reféns, como o israelense Rom Braslavski, que passou 738 dias em cativeiro em Gaza e exigiu em maio a renúncia do gabinete e de parlamentares, chamando a cúpula de covardes pela falta de pedidos de desculpas e pela demora na libertação dos sequestrados.
A pressão política ocorre a três semanas da realização das eleições gerais, as primeiras desde o início do conflito. No início da semana, Netanyahu declarou que o Estado israelense está mais forte do que nunca, embora tenha ponderado que as horas do ataque em Simchat Torá continuam gravadas na memória nacional. O premiê também afirmou que Israel eliminou 4.000 dos 6.000 militantes envolvidos na ação e prometeu alcançar todos os demais, em meio à continuidade dos bombardeios diários na região. O Ministério da Saúde em Gaza aponta que mais de 74.000 palestinos foram mortos desde o início da guerra.
