Itaipu Binacional acumula US$ 1,67 bilhão em caixa após quitar dívida histórica
A Itaipu Binacional encerrou 2025 com US$ 1,67 bilhão em caixa, um aumento de 68% em relação ao ano anterior. O montante, que inclui recursos acumulados desde 2024, colocou em debate o custo da energia gerada pela usina, considerada acima do necessário por especialistas. Segundo cálculos, parte desse excedente poderia reduzir em cerca de 4% as tarifas dos consumidores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que recebem energia de Itaipu.
Especialistas questionam destinação dos recursos e manutenção de tarifas elevadas
Angela Gomes, diretora técnica da consultoria PSR, afirmou que o volume acumulado poderia beneficiar 130 milhões de consumidores. "Apesar dos investimentos socioambientais, a usina acumulou US$ 1,5 bilhão em caixa em dezembro de 2025, o que equivale a US$ 16,7 por quilowatt (kW) para os consumidores brasileiros, valor superior ao custo estimado da usina após a quitação da dívida", destacou. Segundo ela, a devolução desse excedente poderia reduzir as tarifas em média 4%.
Richard Hochstetler, diretor do Instituto Acende Brasil, também criticou o orçamento da Itaipu, que, segundo ele, apresenta "gordura" e resulta em um Custo Unitário dos Serviços de Eletricidade (Cuse) acima do necessário. "Em 2025, o custo de operação, manutenção e administração foi de US$ 761 milhões, ou seja, o caixa de 2025 seria suficiente para cobrir cerca de dois anos de operação", afirmou.
Itaipu nega retenção indevida e atribui recursos a acordo bilateral
A Itaipu Binacional negou que esteja retendo recursos indevidamente e afirmou que os US$ 1,67 bilhão em caixa estão vinculados a obrigações e despesas previstas no orçamento aprovado para 2024-2026. A empresa destacou que os valores de 2024 e 2025 não podem ser somados, pois já estão incluídos no saldo final de 2025. "Os recursos permanecem vinculados às obrigações e destinações aprovadas para o período", declarou.
No entanto, especialistas e ex-dirigentes questionam se um acordo entre governos pode se sobrepor às regras do Tratado de Itaipu, que prevê a devolução de excedentes aos consumidores. Jerson Kelman, ex-diretor-geral da Aneel, afirmou que a quitação da dívida deveria ter reduzido a conta de luz, mas parte dos recursos foi realocada para programas socioambientais. "Os brasileiros recebem 50% dos benefícios, mas pagam por 80% da energia", criticou.
Gastos socioambientais crescem 39% em 2025, mas tarifas seguem altas
Em 2025, os gastos socioambientais da Itaipu atingiram US$ 1,2 bilhão, um aumento de 39% em relação a 2024. A empresa afirma que parte dos recursos é destinada à redução da conta de luz brasileira, com aportes anuais de cerca de US$ 300 milhões. Segundo a Itaipu, desde 2023, já foram destinados R$ 5,7 bilhões à modicidade tarifária, incluindo R$ 1,5 bilhão previstos para 2026.
O Ministério de Minas e Energia (MME) informou que trabalha para assegurar uma redução estrutural da tarifa de Itaipu a partir de 2027, mantendo a tarifa atual no curto prazo. "Desde 2024, a usina tem aportado cerca de US$ 350 milhões ao ano, conforme acordo bilateral", declarou a pasta.
