O Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmou que existem mulheres capacitadas para assumir o comando da Organização das Nações Unidas (ONU). A declaração ocorreu na sequência da desistência de Michelle Bachelet da disputa pelo cargo de secretária-geral da instituição.
Aos 74 anos, a ex-presidente do Chile comunicou sua decisão no sábado, 19, por meio de um vídeo compartilhado nas redes sociais. A campanha de Bachelet enfrentava obstáculos para obter apoio entre os membros do Conselho de Segurança. A candidatura da ex-chefe de direitos humanos da ONU contava com o endosso oficial do governo brasileiro.
Em nota oficial, o Itamaraty pontuou que Michelle Bachelet — que atuou como chefe de Estado chilena em dois mandatos, ministra da Saúde, ministra da Defesa, primeira diretora da ONU Mulheres e alta comissária da ONU para os Direitos Humanos — simboliza a capacidade das mulheres da região para o posto. O ministério destacou que a organização nunca foi liderada por uma mulher e que apenas um representante da América Latina e Caribe exerceu a função de secretário-geral na história da entidade.
O anúncio da desistência veio um dia após a terceira sondagem informal conduzida pelos 15 integrantes do Conselho de Segurança, que não representam a votação oficial. Nessa consulta, a costarriquenha Rebeca Grynspan ficou na liderança com nove votos de encorajamento, seguida pela embaixadora da Guiana na ONU, Carolyn Rodrigues-Birkett, que obteve oito.
A campanha de Bachelet tinha o multilateralismo e o direito internacional como principais bandeiras. O projeto contava com o respaldo inicial de Chile, Brasil e México, embora o governo do atual presidente chileno, José Antonio Kast, tenha retirado o apoio em março deste ano. Brasil e México mantiveram o suporte.
Com a saída da ex-presidente chilena, sete concorrentes continuam na disputa para suceder o atual secretário-geral, António Guterres, cujo segundo mandato de cinco anos se encerra em 31 de dezembro. A lista de postulantes inclui Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica e atual secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad); Carolyn Rodrigues-Birkett, embaixadora da Guiana na ONU; Rafael Mariano Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), indicado pela Argentina; e Macky Sall, ex-presidente do Senegal, indicado pelo Burundi.
A relação de candidatos também conta com María Fernanda Espinosa Garcés, ex-presidente da Assembleia Geral da ONU e ex-ministra do Equador; Ivonne A-Baki, diplomata equatoriana indicada por Tonga; e Olara Otunnu, ex-subsecretário-geral da ONU, indicado por Uganda.
A desistência de Bachelet acontece antes da abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realiza na terça-feira, 22, o discurso de abertura do evento, tradição mantida pelo Brasil desde 1955, antecedendo o pronunciamento dos Estados Unidos, país-sede.
