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Jair Bolsonaro vence eleições do Congresso e consolida força da direita

Mesmo preso em domicílio, Jair Bolsonaro celebra o avanço eleitoral da família e o domínio da direita no Congresso nas eleições de 2026.

Redação•09 de out. de 2026, 06:30
Jair Bolsonaro vence eleições do Congresso e consolida força da direita
Imagem: site

Jair Bolsonaro vence eleições do Congresso e consolida força da direita

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Aos 71 anos, Jair Bolsonaro destacou-se no cenário eleitoral mesmo cumprindo pena em prisão domiciliar em uma casa no Jardim Botânico, em Brasília. Condenado por crimes contra a Constituição — incluindo tentativa de golpe de Estado e conspiração para assassinar o presidente da República, o vice-presidente e um juiz do Supremo Tribunal Federal —, Bolsonaro cumprirá pena até os 97 anos de idade.

No domingo, 4 de outubro, Bolsonaro acompanhou o desempenho eleitoral de sua família e aliados. O primogênito Flávio Bolsonaro, escolhido para disputar a presidência, venceu o primeiro turno. Michelle Bolsonaro e Carlos Bolsonaro foram eleitos para o Senado, enquanto Renato Bolsonaro e Jair Renan conquistaram mandatos de deputado federal.

O pleito também redesenhou a direita brasileira, que conquistou 80% do Congresso Nacional. A direita permanece fragmentada e unida principalmente pelo antipetismo, o que exigirá ampla capacidade de negociação no Legislativo a partir de 2027. Com o futuro governo sem maioria na Câmara e no Senado, o eixo de poder se desloca para o Congresso.

O Partido Liberal (PL), liderado por Bolsonaro, formou a maior bancada do Senado com 28 cadeiras, elevando sua proporção de 18,5% para 34,6% dos 81 votos do plenário. Na Câmara, o PL tornou-se a força preponderante com 121 deputados, ampliando sua representação de 19,1% para 23,6% dos 513 parlamentares — um recorde que supera a marca do então PMDB em 1990, quando somou 109 deputados.

Com essa representatividade, o PL poderia articular a eleição do futuro presidente do Senado vinculada à votação do impeachment de ministros do STF, com foco em Alexandre de Moraes, relator do processo que condenou Bolsonaro. Moraes envolveu-se em transações familiares com Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master. Vorcaro está preso há seis meses por fraudes bilionárias e repassou pelo menos 61 milhões de reais (cerca de 12 milhões de dólares) ao senador Flávio Bolsonaro, quantia cuja destinação é justificada pelo parlamentar como financiamento para a cinebiografia de seu pai, justificativa colocada em dúvida até na cúpula do próprio partido.

Apesar da vitória eleitoral, o PL precisará negociar para aprovar pautas relevantes. Para alterar a Constituição na Câmara, são necessários 308 votos em dois turnos, deixando o partido distante do quórum sem apoios adicionais (faltam 187 votos). No Senado, para aprovar o impeachment de um juiz do Supremo, são exigidos 54 votos, enquanto o PL dispõe de apenas 28 cadeiras.

Para alcançar maioria qualificada, a legenda precisará articular votos com o Centrão, bloco que inclui União Brasil, PP, PSD, Republicanos e MDB. O Centrão sofreu perdas no pleito, encolhendo de 230 para 207 deputados na Câmara, após perder 10% de sua bancada para o PL.

O cenário político aponta para o encerramento do ciclo hegemônico protagonizado por Bolsonaro e Lula desde o fim da ditadura, impondo à esquerda a necessidade de renovar ideias e lideranças. Em Brasília, avalia-se a possibilidade de um novo panorama partidário composto por dois a quatro partidos.

Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/jose-casado/o-prisioneiro/

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