O senador Jaques Wagner (PT), de 75 anos, concorre à reeleição ao Senado pela Bahia tendo como suplentes Edvaldo Brito (PSD) e Aladilce (PCdoB). Nascido no Rio de Janeiro e filho de imigrantes judeus poloneses, o político possui uma trajetória de longa data na vida pública brasileira, tendo administrado o governo baiano por dois mandatos seguidos (2007-2010 e 2011-2014) e atuado como ministro nas gestões de Lula (PT) e Dilma Rousseff (PT).
Atualmente em seu segundo casamento, com Maria de Fátima Carneiro de Mendonça, ele é pai de três filhos frutos da união anterior com Beth Wagner, ex-vice-prefeita de Salvador. Sua entrada na política ocorreu durante a juventude, ao integrar o movimento estudantil em 1969 na PUC-Rio, onde cursava Engenharia Civil. O curso foi abandonado em 1973, momento em que deixou o Rio de Janeiro com receio dos órgãos da ditadura, passando alguns meses em Minas Gerais antes de se fixar na Bahia para consolidar sua carreira pública.
Seu primeiro emprego no estado foi na indústria petroquímica, atuando como técnico de manutenção. No período, ingressou no Sindiquímica-BA (Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Petroquímica), exercendo a função de diretor e, posteriormente, de presidente. O parlamentar conheceu Luiz Inácio Lula da Silva em um congresso de petroleiros e participou, em 1980, da fundação do PT (Partido dos Trabalhadores) e da CUT (Central Única dos Trabalhadores) na Bahia, assumindo a presidência pioneira de ambas as entidades no território baiano.
Carreira institucional e mandatos
A trajetória na política institucional teve início em 1990, quando Wagner elegeu-se deputado federal, obtendo a reeleição nos pleitos de 1994 e 1998. Posteriormente, disputou a Prefeitura de Camaçari e o governo do estado, sendo derrotado em ambas as ocasiões. Em 2003, recebeu convite de Lula para assumir o Ministério do Trabalho e, em 2005, passou a comandar o Ministério das Relações Institucionais, recebendo do presidente a Grã-Cruz da Ordem do Mérito da Defesa. Na mesma gestão, exerceu a função de secretário especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República.
Em outubro de 2006, conquistou o governo da Bahia pelo PT no primeiro turno, alcançando 52,89% dos votos, em disputa contra um adversário apoiado por Antônio Carlos Magalhães — um triunfo visto pela imprensa como uma interrupção na influência de ACM na política local. Quatro anos depois, em 2010, garantiu a reeleição logo no primeiro turno com 63,83% dos votos válidos. Já em dezembro de 2014, foi indicado para o Ministério da Defesa no segundo governo de Dilma Rousseff, sucedendo Celso Amorim. No ano de 2016, transferiu o cargo para apoiar Lula e assumiu a recém-criada pasta de Ministro Chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República, onde permaneceu até o afastamento da titular da presidência.
Em 2018, candidatou-se ao cargo de senador pela Bahia, sendo vitorioso e mantendo-se na cadeira até o momento atual. Embora seu nome tenha sido cotado para disputar o governo estadual em 2022, ele desistiu da pré-candidatura em fevereiro daquele ano.
Investigação e propostas
Recentemente, o nome do senador foi associado ao caso do Banco Master. Conforme apontamentos da Polícia Federal, foram encontrados elementos que sugerem o “recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente”, intermediados por familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias associadas à instituição financeira. Documentos tornados públicos detalham, por exemplo, que o senador recusou-se a entregar as senhas de seus telefones celulares durante cumprimento de mandado em sua residência, em Salvador.
Nas propostas de campanha registradas na “Revista do Mandato de Todos Nós”, material oficial do PT focado no parlamentar, destacam-se eixos como a preservação ambiental, a criação de emprego e renda, a defesa dos trabalhadores, o fomento à ciência e inovação, o fortalecimento da agricultura familiar e a preservação democrática, além do combate ao ódio e ao autoritarismo.
A disputa pelo Senado pela Bahia conta ainda com outros nomes na corrida eleitoral: Angelo Coronel (Republicanos), Carlos Sodré (Mobiliza), Gregorio Gould (UP), João Roma (PL), Marcelo Carvalho (Rede), Marcelo Millet (PCO), Marcelo Santtana (DC), Professora Delliana (Psol) e Rui Costa (PT).
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/quem-e-jaques-wagner-candidato-ao-senado-pela-bahia/
