Durante visita a Paris nesta quinta-feira, 1º, o presidente da Argentina, Javier Milei, apresentou o país a empresários europeus como um fornecedor estratégico de energia e minerais. O evento, batizado de Argentina Week, ocorreu na sede da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Na ocasião, a empresa francesa TotalEnergies anunciou uma carteira de investimentos de aproximadamente US$ 10 bilhões na Argentina para os próximos anos, com foco na expansão da produção de petróleo e gás. O presidente-executivo da companhia, Patrick Pouyanné, detalhou que o grupo planeja perfurar novos poços na Terra do Fogo e ampliar as operações em Neuquén, na região de Vaca Muerta, estimando aportes entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões na próxima década para elevar a produção de gás. A TotalEnergies também projeta um novo desenvolvimento offshore na Terra do Fogo chamado Alberdi, com custo estimado em US$ 1,5 bilhão, além de avançar em um projeto de petróleo em San Roque e na produção de gás em Aguada Pichana.
A exploração de petróleo e gás de xisto no país emprega o fraturamento hidráulico, técnica que utiliza água, areia e químicos sob alta pressão, embora o método enfrente críticas devido a eventuais impactos ambientais. Já a francesa Eramet manifestou intenção de solicitar a inclusão de seu projeto de lítio Centenario-Ratones, na província de Salta, no regime argentino de incentivos a grandes investimentos. A expansão exigiria cerca de US$ 350 milhões e elevaria a capacidade de produção de carbonato de lítio.
Diante de potenciais investidores, em um discurso de quase uma hora que recebeu aplausos e ovação de pé, Milei defendeu o programa econômico de seu governo e expressou otimismo em disputar um novo mandato nas eleições de 2027. O mandatário argumentou que a Argentina oferece abundância de recursos naturais, estabilidade para os negócios e distanciamento de conflitos geopolíticos. Segundo o presidente, a Europa compreendeu o custo de depender de fornecedores não confiáveis, enquanto a Argentina pode abastecer os países europeus alinhando-se aos valores ocidentais.
O contexto de busca europeia por diversificação energética é influenciado por impactos geopolíticos recentes, como a invasão russa da Ucrânia e conflitos no Oriente Médio, somados à disputa entre Estados Unidos e China por minerais estratégicos. Milei destacou as reservas argentinas de cobre, lítio e urânio, afirmando que o país assegura segurança jurídica e possui os insumos necessários para atuar como polo de inteligência artificial.
A agenda oficial em Paris incluiu ainda uma reunião no Palácio do Eliseu com o presidente francês Emmanuel Macron, acompanhado pela irmã e secretária-geral da Presidência, Karina Milei, seguida por encontros com empresários franceses.
A ofensiva diplomática ocorre enquanto a economia argentina lida com pressões no mercado de trabalho e na atividade econômica, a cerca de um ano das eleições presidenciais. Dados citados pelo jornal Le Monde apontam que o governo implementou ajuste fiscal e reduziu a inflação anual de cerca de 161% para pouco mais de 33% desde o final de 2023. No entanto, o primeiro semestre de 2026 registrou pobreza de 32,3% e desemprego de 7,9%, além de revisões para baixo nas perspectivas de crescimento. Definindo-se como anarco-capitalista, Milei reiterou a intenção de aprofundar as reformas econômicas caso seja reeleito e amplie sua base de apoio parlamentar.
