O presidente da Argentina, Javier Milei, classificou a Organização das Nações Unidas (ONU) como "inútil" durante discurso na Assembleia Geral da entidade, em Nova York, realizado nesta quarta-feira, 23. Na ocasião, o mandatário criticou a organização por considerá-la incapaz de fazer cumprir suas próprias decisões e acusou o órgão de gerar inação diante da disputa territorial pelas Ilhas Malvinas.
Durante seu pronunciamento, Milei declarou que a instituição internacional se transformou em um espaço que apenas alimenta burocratas e afirmou que a entidade permitiu o caos, a violência e o terrorismo internacional em vez de zelar pela segurança coletiva e pelos direitos humanos. O chefe de Estado também anunciou que o governo argentino planeja adotar medidas próprias sobre a questão das Malvinas, afirmando que o país não ficará aguardando uma atuação da comunidade internacional.
Críticas à OMS e histórico das Ilhas Malvinas
O líder argentino, que já retirou o país da Organização Mundial da Saúde (OMS), também direcionou críticas à agência sanitária. Ele alegou que as recomendações de quarentena emitidas durante a pandemia de Covid-19 representaram um experimento global de controle social sob o disfarce de ciência.
As Ilhas Malvinas, denominadas Ilhas Falkland pelo Reino Unido, possuem cerca de 11.700 quilômetros quadrados e situam-se a aproximadamente 600 quilômetros da costa da Argentina. O arquipélago é administrado pelos britânicos como território ultramarino desde 1833 e possui relevância estratégica devido ao potencial de exploração de petróleo e recursos naturais. Em 1982, os dois países travaram uma guerra pela soberania da região, resultando nas mortes de 649 soldados argentinos e 255 britânicos. As relações diplomáticas foram reatadas nos anos 1990, mas a recusa inglesa em discutir a soberania motiva contestações recorrentes de Buenos Aires perante organismos internacionais — o Brasil reconhece a reivindicação argentina.
Posições e desdobramentos recentes
Enquanto a Argentina reivindica o domínio do arquipélago, o governo britânico sustenta que a vontade da população local precisa ser respeitada. Em um referendo realizado no ano de 2013, 1.513 dos 1.517 eleitores votaram pela manutenção do território sob administração do Reino Unido. Por sua vez, a ONU classifica as Malvinas como um território não-autônomo, solicitando que Buenos Aires e Londres alcancem uma solução negociada, sem chancelar formalmente a reivindicação de qualquer um dos lados. Donald Trump sugeriu recentemente que pode deixar de apoiar a Inglaterra na disputa.
A controvérsia ganhou tração nas últimas semanas após a decisão da administração de Milei de intensificar pressões contra empresas envolvidas na exploração de recursos naturais na zona. O Executivo argentino enviou ao Congresso um projeto com o objetivo de ampliar punições a companhias, acionistas e fornecedores que atuem nas ilhas sem a devida autorização do país. O assunto também repercutiu durante a Copa do Mundo, em julho, quando atletas argentinos comemoraram um triunfo sobre a Inglaterra exibindo uma faixa com os dizeres “Las Malvinas son Argentinas”.
