O grupo LIDE, fundado pelo ex-governador paulista João Doria, programou um almoço empresarial com o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). O evento está agendado para o dia 19 de outubro, em um hotel localizado na Vila Olímpia, bairro nobre de São Paulo, a apenas seis dias do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
A expectativa é de que o encontro reuna mais de 300 empresários filiados ao LIDE. De acordo com a divulgação do próprio grupo, a iniciativa tem a finalidade de incentivar um diálogo direto com lideranças e representantes do setor produtivo a respeito do cenário político e das projeções para o país. A programação do evento deve contemplar participantes de áreas como finanças, tecnologia, comércio, indústria e agronegócio.
A organização do evento por parte de Doria ocorre após um histórico de aliança e posterior rompimento político com a família Bolsonaro. Em 2018, Doria utilizou o lema “Bolsodoria” durante sua campanha ao governo do estado de São Paulo, aliando-se a Jair Bolsonaro. Contudo, os dois romperam a relação posteriormente, com acusações de que o ex-governador teria se apropriado politicamente da imagem do ex-presidente. O atrito se aprofundou durante a crise sanitária da Covid-19, período em que ambos divergiram publicamente sobre as estratégias de combate à pandemia.
Essa articulação com o senador Flávio Bolsonaro dá continuidade a outras iniciativas do LIDE com nomes ligados à equipe econômica da campanha do PL. No dia 1º de setembro, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques e o ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida participaram de um seminário na sede do grupo, em São Paulo. Na ocasião, ambos criticaram a gestão atual e apresentaram as propostas do candidato focadas em reequilíbrio fiscal e cortes de gastos.
O cenário político também tem contado com movimentações de outros candidatos junto ao setor empresarial. Em setembro, o presidente Lula (PT) participou de um jantar em São Paulo com aproximadamente 700 convidados, incluindo ministros, autoridades e representantes do setor produtivo. Naquele evento, o chefe do Executivo criticou a família Bolsonaro, defendeu sua bagagem política e ressaltou o compromisso com a responsabilidade fiscal e social, mencionando o objetivo de transformar o Brasil em uma nação de classe média.
