A Justiça de São Paulo decidiu manter a prisão de Milton Leite, ex-presidente da Câmara de São Paulo e dirigente estadual do União Brasil, após realização de audiência de custódia neste sábado, 19. A determinação foi fundamentada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) sob o argumento de ausência de irregularidades durante a execução da prisão.
Segundo a defesa de Milton Leite, o ex-vereador apresentou um pico de hipertensão momentos antes da audiência e precisou passar por atendimento médico nas dependências do próprio fórum. A apresentação voluntária de Leite ocorreu na delegacia de Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo, na tarde de sexta-feira, 18, em cumprimento a um mandado expedido no âmbito da operação Vectura Corrupta.
A operação investiga supostas ligações entre companhias de transporte público da capital paulista e a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A ordem de prisão contra o político sobreveio após uma ofensiva policial deflagrada na manhã de quinta-feira, 17, que teve o ex-parlamentar como alvo. Na ocasião, Leite havia declarado que se entregaria no prazo de até 24 horas, o que não se concretizou.
Conforme dados do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), a investigação também teve como alvos de mandados de prisão um ex-servidor municipal ligado à SPTrans, três advogados e um candidato a deputado estadual. Os cumprimentos de mandados abrangeram a capital paulista, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
Dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública apontam que a Operação Vectura Corrupta, cuja tradução do latim significa transporte corrupto, constitui um desdobramento da força-tarefa Dercúrio, realizada em 2024 para apurar a infiltração do crime organizado nos transportes da cidade de São Paulo. As suspeitas iniciais indicavam a utilização de empresas do setor para lavagem de dinheiro e financiamento de candidaturas políticas benéficas à organização criminosa. Em decorrência das apurações, a empresa Transwolff, atuante na capital e na região metropolitana, sofreu intervenção da prefeitura.
