A Justiça dos Estados Unidos determinou nesta sexta-feira (25) que a Anthropic continuará sendo classificada pelo Departamento de Defesa dos EUA como um risco à segurança nacional, mantendo a proibição para que a empresa feche contratos militares com o governo americano.
A deliberação foi proferida por um tribunal federal de apelações após a startup de inteligência artificial contestar a classificação do Pentágono na Justiça, marcando o desdobramento de meses de disputa entre a companhia e o governo dos EUA em relação ao uso de seus modelos de IA pelo setor de Defesa.
Com a medida, órgãos ligados à Defesa norte-americana encontram dificuldades para contratar a empresa ou utilizar seus serviços. A Anthropic declarou que a decisão resultou em bilhões de dólares em negócios perdidos e prejudicou sua reputação, em um momento que antecede uma possível oferta pública inicial de ações (IPO) para negociação em bolsa.
Em nota reproduzida pela agência Reuters, a companhia afirmou que "discorda respeitosamente da decisão", mas mantém confiança em sua posição e avalia opções, incluindo uma possível revisão judicial. No mês anterior, um juiz federal em São Francisco havia anulado uma designação similar baseada em outra lei, sob o argumento de que o governo retaliou ilegalmente contra a empresa devido às suas posições sobre a segurança da inteligência artificial.
Atuação internacional e ausência em jantar
A decisão judicial coincide com os esforços da Anthropic para ampliar sua participação nos debates internacionais sobre a tecnologia. Na última quarta-feira (23), a criadora do assistente Claude integrou uma reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), convocada pela França, para discutir riscos de sistemas avançados de IA. Dario Amodei, CEO da Anthropic, discursou no evento ao lado de representantes de outras gigantes do setor.
Apesar da atuação no conselho, Amodei ficou de fora do jantar de gala promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na sede do Executivo americano, voltado para o líder chinês Xi Jinping. O encontro reuniu executivos como Jensen Huang (Nvidia), Lisa Su (AMD), Elon Musk (SpaceX e Tesla) e Tim Cook (ex-CEO da Apple).
Relação com o governo Trump e histórico
A exclusão reflete o histórico de relações turbulentas entre a Anthropic e a administração de Donald Trump. Em junho, Washington ordenou que a empresa bloqueasse o acesso aos seus modelos de ponta, Mythos 5 e Fable 5, citando motivos de segurança nacional. No mês seguinte, restrições ao Mythos 5 foram parcialmente suspensas para ciberdefensores e operadores de infraestrutura dos EUA, mantendo o bloqueio para parceiros estrangeiros da Europa e da Ásia.
Fundada em 2021 por Dario Amodei e ex-executivos da OpenAI adeptos a uma postura mais cautelosa no desenvolvimento tecnológico, a Anthropic lançou o chatbot Claude em março de 2023. O governo de Donald Trump, inicialmente contrário a regulações amplas de inteligência artificial, passou a intensificar a vigilância sobre os riscos associados ao avanço desses modelos diante do crescimento das capacidades dos sistemas.
Fonte: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/09/25/anthropic-estados-unidos-seguranca-nacional.ghtml
