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Economia

Justiça homologa plano de recuperação extrajudicial do GPA para renegociar R$ 4,6 bilhões em dívidas

Justiça de São Paulo homologa recuperação extrajudicial do GPA para renegociar R$ 4,6 bilhões em dívidas e garantir o funcionamento das lojas.

Redação•07 de out. de 2026, 15:33
Justiça homologa plano de recuperação extrajudicial do GPA para renegociar R$ 4,6 bilhões em dívidas
Imagem: site

Justiça homologa plano de recuperação extrajudicial do GPA para renegociar R$ 4,6 bilhões em dívidas

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A Justiça de São Paulo homologou o plano de recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar (GPA), conforme anúncio feito pela companhia nesta quarta-feira (7) por meio de um comunicado ao mercado. O acordo abrange a reorganização de R$ 4,568 bilhões em débitos e obteve a adesão de credores que somam 57,49% do montante total incluído na renegociação, superando o percentual mínimo exigido pela legislação.

O processamento do pedido apresentado pelo GPA havia sido autorizado pela Justiça em março. Com a homologação atual, o plano foi oficialmente aprovado e passa a vigorar conforme os termos pactuados com os credores. Na mesma data em que protocolou o pedido em março, a empresa já havia anunciado um acordo com seus principais credores para a renegociação.

A recuperação extrajudicial consiste em um mecanismo utilizado por corporações para negociar diretamente débitos com os credores, dispensando os trâmites de uma recuperação judicial convencional. O objetivo é alcançar condições de pagamento mais vantajosas, tais como prazos estendidos, visando a reorganização financeira da entidade. Embora o acerto ocorra de forma direta entre a companhia e os credores, a validação judicial é obrigatória para que produza os efeitos legais.

No caso do GPA, o foco da renegociação recai sobre dívidas financeiras. Obrigações corriqueiras e tributárias — como impostos, compromissos trabalhistas, pagamentos a fornecedores, prestadores de serviços e aluguéis — ficaram de fora do plano, permitindo a continuidade normal das operações das lojas.

"A companhia reforça que suas operações seguem normais e que está em dia com suas obrigações junto a fornecedores, clientes e demais parceiros, os quais não integram a recuperação extrajudicial", destacou o GPA em nota oficial.

Modalidades de pagamento escolhidas pelos credores

O plano homologado permitiu que os credores optassem entre três alternativas distintas para a quitação dos valores:

  • Opção A: Escolhida por 88,40% dos credores, não prevê desconto na dívida, mas inclui a participação em um aporte de R$ 200 milhões. Uma parcela do montante será convertida em títulos remunerados por juros, enquanto outra parte poderá se transformar em ações do GPA entre 2027 e 2031.
  • Opção B: Selecionada por 8,34% dos credores, estabelece prazo estendido com vencimento em 2036 e remuneração atrelada ao CDI.
  • Opção C: Destinada aos 3,26% restantes que não escolheram as alternativas anteriores, aplica um desconto de 70% sobre o saldo devedor, com início dos pagamentos em 2032 e quitação prevista para 2036.

Segundo a empresa, o principal impacto do arranjo é a ampliação do prazo para a liquidação dos débitos. Para a parcela da dívida que não será convertida em ações, o prazo médio de pagamento passou de 2,1 anos para 6,4 anos. Os encargos adotados correspondem ao CDI acrescido de 0,5 ponto percentual ao ano, o que substitui obrigações de curto prazo por compromissos de longo prazo, atenuando a pressão sobre o caixa corporativo.

Contexto da crise financeira do Grupo Pão de Açúcar

O Grupo Pão de Açúcar amarga prejuízos anuais desde 2022 devido a diversos fatores que impactaram seus resultados, entre os quais destacam-se:

  • A retração no consumo, acentuada em períodos de inflação elevada nos alimentos;
  • Os patamares elevados das taxas de juros, que elevaram o custo do endividamento;
  • Os desembolsos com reformulações na gestão;
  • A quitação de débitos fiscais e trabalhistas;
  • As perdas decorrentes de unidades com baixo desempenho.

No balanço trimestral divulgado no final de fevereiro, a companhia reportou um déficit de aproximadamente R$ 1,2 bilhão ao término do ano passado, impulsionado principalmente por empréstimos e títulos com vencimento em 2026, gerando incertezas sobre a continuidade operacional. Para mitigar riscos, a empresa adotou iniciativas voltadas a alongar prazos de dívidas, conter despesas financeiras e converter créditos tributários em recursos líquidos.

A estrutura societária e executiva passou por modificações no último ano. O Grupo Coelho Diniz tornou-se o principal acionista, detendo 24,6% das participações, enquanto o grupo francês Casino permanece com 22,5%. Em outubro, André Coelho Diniz assumiu a presidência do conselho de administração, e o presidente-executivo Marcelo Pimentel renunciou ao cargo exercido desde 2022. No início de 2026, Alexandre de Jesus Santoro foi eleito diretor-presidente.

Em 2025, o GPA contabilizou um prejuízo líquido de cerca de R$ 651 milhões em operações continuadas, encerrando o período com dívida líquida de R$ 2 bilhões e dívida bruta de R$ 4 bilhões. No mercado acionário, os papéis negociados sob o código PCAR3 registraram desvalorização acumulada de 21,12% nos últimos 12 meses na bolsa de valores.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/10/07/justica-homologa-plano-de-recuperacao-extrajudicial-do-gpa-para-renegociar-r-46-bilhoes-em-dividas.ghtml

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