Julgamento marcado para outubro em Fortaleza
A Justiça do Ceará agendou para os dias 21 e 22 de outubro o júri popular de Tiago Lourenço de Sá de Lima. Ele é acusado pelo duplo homicídio de Rogério Jeremias de Simone, o 'Gegê do Mangue', e Fabiano Alves de Souza, o 'Paca', ambos líderes da organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). O julgamento terá início às 9h, na Sala 1 do Fórum Clóvis Beviláqua, da 6ª Vara do Júri de Fortaleza. Durante os dois dias de audiência, serão realizados os depoimentos das testemunhas arroladas e o interrogatório do réu.
Gegê do Mangue e Paca foram vítimas de uma emboscada em fevereiro de 2018 na Lagoa Encantada, uma reserva indígena situada no município de Aquiraz, Ceará, onde foram executados a tiros. Tiago Lourenço é apontado pelas autoridades como membro da facção e um dos executores responsáveis pelos disparos. O acusado chegou a figurar na lista vermelha da Interpol antes de sua captura.
Detalhes da investigação e desdobramentos judiciais
Segundo o Ministério Público, o crime envolveu ao menos dez investigados, sendo que sete deles foram formalmente pronunciados. O órgão aponta que Gilberto Aparecido dos Reis, conhecido como Fuminho, teria ordenado a execução. No entanto, a Justiça do Ceará decidiu não levá-lo a júri popular. Em abril do ano passado, Fuminho foi considerado inocente por 'ausência de indícios de autoria', decisão que foi mantida após afastamento do caso pelo STJ.
O processo judicial é complexo, contando com mais de 9 mil páginas. Devido à extensão e aos diversos recursos, a ação precisou ser desmembrada para garantir celeridade. Entre os outros acusados estão André Luis da Costa Lopes (Andrezinho da Baixada), Erick Machado dos Santos (Neguinho Rick da Baixada), Ronaldo Pereira Costa, Carlenilto Pereira Maltas (Ceará) e Renato Oliveira Mota. O processo contra Renato está suspenso, pois ele se encontra foragido, embora tenha sido capturado temporariamente em junho do ano passado em um condomínio na zona leste de São Paulo.
Posicionamento da defesa de Tiago Lourenço
Os advogados Eliseu e Ana Paula Minichillo, que representam Tiago, reafirmam a 'absoluta inocência e total ausência de participação no crime'. Em nota enviada à CNN Brasil, a defesa declarou: 'Tiago está preso preventivamente há quase 5 anos em evidente ilegalidade por excesso de prazo que equivale a cumprimento antecipado de pena o que fere a Constituição Federal. A defesa tem pressa na realização do julgamento em plenário, oportunidade em que sua inocência será comprovada de forma inequívoca'. O magistrado autorizou o recambiamento do réu para o Ceará, condição necessária para a realização da sessão de julgamento.
Contexto do crime: Traição e vingança no crime organizado
As investigações apontam que Gegê do Mangue e Paca foram mortos após serem acusados de desviar recursos da própria facção em remessas de cocaína que partiam do Porto de Santos para o exterior. André de Oliveira Macedo, o André do Rap, que permanece foragido, também teria participado do esquema de desvio das drogas. O crime contou com suporte logístico de pessoas em São Paulo e no Ceará.
A morte dos líderes provocou uma crise interna no PCC e uma onda de violência. Em 2019, Wagner Ferreira da Silva, o Cabelo Duro, foi assassinado com tiros de fuzil em frente a um hotel no Jardim Anália Franco, em São Paulo, em um ato de vingança pelo seu envolvimento na morte de Gegê e Paca. Além disso, um piloto que transportou Gegê do Mangue para a emboscada morreu em um confronto com a polícia no estado de Goiás.
