O Kennedy Center teve suas portas trancadas às 18h de terça-feira (15), com grades de bicicleta empilhadas nas entradas para bloquear o acesso do público. O encerramento das atividades ocorreu um dia após uma reunião dramática do Conselho de Curadores da instituição cultural, em que os membros — muitos deles aliados do presidente Donald Trump — votaram pelo fechamento.
A medida, contudo, violaria uma ordem judicial que determina que o monumento público permaneça aberto enquanto tramita o processo movido pela deputada democrata Joyce Beatty. Na quarta-feira (16), o juiz federal Christopher Cooper atendeu a um pedido de audiência de emergência apresentado por Beatty e ordenou que o governo Trump respondesse sobre o status do edifício até quinta-feira (17), às 10h, no horário de Washington. A ação foi protocolada após um integrante da equipe jurídica da deputada ser impedido de entrar no edifício principal e informado por seguranças que o local estava fechado ao público.
De acordo com um porta-voz do Kennedy Center, o edifício foi fechado de forma “temporária” por motivos de segurança. Os advogados de Beatty apontaram violação da ordem judicial ao relatarem que o Departamento de Justiça não respondeu aos pedidos de explicação. O Departamento de Justiça informou que pretende recorrer da decisão até sexta-feira (18).
Durante a quarta-feira, barricadas e cercas foram vistas nas entradas do edifício principal, enquanto equipes de construção trabalhavam no exterior e funcionários acessavam o local por uma entrada de estacionamento. Painéis publicitários digitais ainda anunciavam espetáculos e um jardineiro podava sebes no local, que também contou com a presença de um manifestante solitário.
Donald Trump foi fotografado na noite de quarta-feira, na pista da Base Conjunta Andrews a bordo do Air Force One, analisando um cartaz que parecia conter os dizeres “Kennedy Center DEMOLISHED” (Kennedy Center DEMOLIDO). Anteriormente, em declarações a repórteres, Trump ameaçou com consequências caso o esforço para adicionar seu nome ao centro fracasse e afirmou que o local pode acabar sendo demolido por estar em condições muito perigosas. O presidente argumentou que seu governo deveria receber reconhecimento por assumir o ônus financeiro de consertar o que classificou como uma “bagunça”.
Enquanto o edifício principal permanece no centro da batalha judicial, um anexo cultural separado conhecido como The Reach continua aberto, com programação prevista, incluindo uma celebração de Dolly Parton marcada para 25 de setembro.
