A morte de Dolly Parton, aos 80 anos, encerra uma das trajetórias mais marcantes da música americana. Ao longo de quase seis décadas, a cantora, compositora e atriz ultrapassou as fronteiras do country e se transformou em uma referência para artistas de diferentes gerações e estilos.
Influência além do country
Dona de sucessos como Jolene e I Will Always Love You, Dolly também ficou conhecida pela capacidade de transformar suas próprias histórias em músicas que ganharam novas versões e chegaram a públicos completamente diferentes. Seu legado pode ser visto não apenas nas regravações de suas canções, mas também nas amizades e parcerias construídas ao longo da carreira.
Miley Cyrus: da madrinha à parceira musical
Antes mesmo de Miley nascer, Dolly já era próxima de Billy Ray Cyrus, pai da jovem. Foi ele quem pediu que a cantora fosse madrinha de sua filha, criando uma relação que acabou ultrapassando o vínculo familiar. Dolly também fez parte de uma das fases mais importantes da carreira de Miley, aparecendo na série Hannah Montana como a tia da personagem e ajudando a aproximar o público adolescente da música e da personalidade da estrela country.
A influência, porém, não ficou restrita à televisão. Miley cresceu ouvindo Dolly e levou esse repertório para a própria carreira. Assim, Jolene, clássico lançado por Parton em 1973, foi posteriormente regravado por Cyrus. As duas também dividiram o palco em momentos importantes, como em 2019, quando Miley participou de um tributo a Dolly no Grammy.
Beyoncé e a reinvenção de Jolene
Beyoncé é outro nome que ajudou a levar Dolly para uma nova geração. A conexão entre as duas ganhou um capítulo especial em Cowboy Carter, álbum lançado pela cantora em 2024 para explorar as raízes negras e a história da música country. Em Cowboy Carter, Beyoncé regravou Jolene, música que Dolly havia escrito décadas antes. A escolha não foi exatamente uma surpresa, já que Parton já havia dito que gostaria de ouvir Beyoncé interpretar a faixa.
Dolly não ficou apenas nos bastidores: ela aparece na introdução da música, em um trecho chamado “Dolly P”, funcionando como uma espécie de ponte entre a versão original e a releitura de Beyoncé. A diferença entre as duas versões também diz muito sobre o modo como Dolly enxerga seu próprio legado. Na gravação original, a narradora implora para que Jolene não roube seu homem. Beyoncé, por outro lado, transforma a personagem em alguém muito mais ameaçadora e segura de si. Dolly aprovou a mudança.
Lady Gaga e a admiração mútua
A admiração de Dolly Parton por Lady Gaga ficou evidente ainda em 2011, quando a cantora elogiou a versão country de Born This Way, lançada por Gaga naquele ano. Dolly disse que adorava a artista e chegou a sugerir uma parceria entre as duas. Em outra entrevista, Parton também colocou Gaga e Madonna entre as artistas que admirava por sua personalidade e coragem para fazer escolhas próprias.
Para Dolly, havia uma identificação entre as três justamente pela disposição de transformar a própria imagem em parte da expressão artística. Em 2016, Lady Gaga lançou o álbum Joanne e revelou em entrevistas que o disco tinha influências de artistas como Dolly Parton e Johnny Cash.
Willie Nelson: uma amizade de décadas
A relação entre Dolly Parton e Willie Nelson é daquelas que atravessam gerações. Os dois se conheceram ainda no início das carreiras, quando trabalhavam em Nashville para a mesma editora musical, e construíram ao longo das décadas uma amizade que também rendeu diversas parcerias.
A primeira grande colaboração veio em 1982, com Everything’s Beautiful (In Its Own Way), dueto que chegou ao 7º lugar da parada country nos Estados Unidos. No ano seguinte, os dois voltaram a dividir os vocais em I Really Don’t Want to Know. A parceria continuou décadas depois, como em 2013, quando Willie convidou Dolly para regravar From Here to the Moon and Back em seu álbum To All the Girls….
Jane Fonda e a ponte entre cinema e música
A relação entre Dolly Parton e Jane Fonda nasceu no cinema, mas acabou se transformando em uma amizade que atravessou décadas. Em 1980, as duas estrelaram Como Eliminar Seu Chefe (9 to 5), ao lado de Lily Tomlin, no que se tornou um dos filmes mais marcantes da carreira de ambas.
Para Dolly, o longa representou também uma importante porta de entrada em Hollywood. Foi para a produção que ela escreveu e gravou 9 to 5, uma das músicas mais conhecidas de sua carreira. A faixa se tornou um enorme sucesso, chegou ao topo das paradas e recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Canção Original.
Taylor Swift e o legado duradouro
Taylor Swift representa uma geração mais jovem de artistas que cresceu tendo Dolly Parton como referência. Embora as duas não tenham uma trajetória marcada por grandes colaborações musicais, a admiração é mútua e já foi demonstrada publicamente. Dolly já falou sobre as comparações entre sua trajetória e a de Taylor, especialmente pela capacidade das duas de transformar experiências pessoais em grandes histórias por meio da música.
Em 2026, Dolly agradeceu publicamente a Taylor Swift e Travis Kelce por uma doação destinada à Imagination Library, projeto criado por Parton que distribui livros gratuitamente para crianças.
