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Lições do passado e do Centrão servem de alerta a Flávio Bolsonaro

A vantagem inicial de Flávio Bolsonaro sobre Lula encolheu, e o Centrão deu recados claros ao PL sobre as dificuldades para o comando do Congresso.

Redação•18 de out. de 2026, 17:30
Lições do passado e do Centrão servem de alerta a Flávio Bolsonaro
Imagem: site

Lições do passado e do Centrão servem de alerta a Flávio Bolsonaro

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Apesar de acumular mandatos eletivos por mais de vinte anos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nunca enfrentou uma campanha eleitoral competitiva real. O capital político de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, sempre assegurou suas vitórias nas urnas sem a necessidade de pedir votos ou negociar alianças partidárias. Diante desse cenário, o parlamentar e parte de seu grupo político demonstraram euforia após o primeiro turno da corrida presidencial, no qual Flávio saiu vitorioso com uma vantagem de 2,2 milhões de votos sobre o petista Lula, que concorre à reeleição.

Carentes de cautela diante das dificuldades de uma disputa efetiva, aliados e o próprio senador passaram a discutir a formação de um futuro ministério e a sucessão nas presidências da Câmara e do Senado para o início do próximo ano. Flávio chegou a declarar em entrevistas que, por dispor de maioria nas duas Casas Legislativas, alteraria a Constituição. Quadros do PL acompanharam o clima de vitória antecipada e lançaram candidaturas para o comando do Congresso.

O coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho, despontou como forte concorrente ao Senado. Na Câmara, os deputados Sóstenes Cavalcante e Altineu Côrtes colocaram seus nomes no páreo. Contando com as maiores bancadas, o PL deu como favas contadas que barraria a renovação dos mandatos do deputado Hugo Motta (Republicanos) e do senador Davi Alcolumbre (União Brasil) em fevereiro de 2026.

Choque de realidade e recados do Centrão

Recentemente, o PL e Flávio Bolsonaro receberam sinais de que a consolidação de seu poder enfrentará obstáculos significativos. Expoentes do Centrão, Motta e Alcolumbre aprovaram pautas relevantes da campanha de reeleição de Lula, como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que extingue a jornada de trabalho 6x1 sem prejuízo salarial, além do pacote governamental voltado ao perdão de dívidas de microempreendedores individuais.

Por meio dessas votações, Motta e Alcolumbre enviaram um recado direto ao PL de que seguem firmes na disputa e buscarão a reeleição para os cargos de liderança. O Centrão também pontuou que, por mais expressiva que tenha sido a votação obtida nas urnas, o PL precisará negociar para conseguir aprovar suas propostas.

A reta final e o alerta histórico

Paralelamente, novas pesquisas de intenção de voto apontam um estreitamento na distância entre Flávio Bolsonaro e Lula, colocando ambos em situação de empate técnico. Embora o representante do PL ainda figure numericamente à frente nos levantamentos do Datafolha e da Quaest, os números encontram-se dentro da margem de erro.

O episódio remonta a 1985, quando o então senador Fernando Henrique Cardoso, favorito na disputa pela Prefeitura de São Paulo, foi fotografado antes da votação sentado na cadeira de prefeito. FHC liderava por margem estreita e acabou derrotado por Jânio Quadros.

Ao assumir o cargo, Jânio convocou a imprensa para registrar a desinfecção da poltrona. "Gostaria que os senhores testemunhassem que estou desinfetando esta poltrona porque nádegas indevidas a usaram. Porque o senhor Fernando Henrique Cardoso nunca teria o direito de sentar-se cá e o fez, de forma abusiva", declarou Jânio Quadros na ocasião.

O episódio serve de advertência para que Flávio Bolsonaro e o PL redobrem a atenção ao segundo turno da corrida presidencial, evitando projetar ministérios, reformas constitucionais e o comando do Congresso antes do término da disputa, uma vez que o cenário político demonstra que ninguém vence de véspera.

Fonte: https://veja.abril.com.br/politica/licoes-do-passado-e-do-centrao-servem-de-alerta-a-flavio-bolsonaro/

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