Seis meses após os ataques aéreos coordenados pelos Estados Unidos e Israel que marcaram o início da guerra no Irã e resultaram na morte de seu pai, o ex-líder supremo Ali Khamenei, o sucessor Mojtaba Khamenei continua sem realizar aparições públicas. Desde que assumiu o comando da República Islâmica, não foram divulgadas fotografias, vídeos ou mesmo gravações de voz do novo líder. Segundo informações de autoridades iranianas, ele governa nos bastidores enquanto se recupera de ferimentos sofridos logo no início do conflito.
A ausência prolongada tem alimentado diversas especulações sobre a real condição de saúde de Mojtaba e sua capacidade de exercer o cargo. Fontes do governo indicam que os ferimentos sofridos durante os ataques de 28 de fevereiro desfiguraram seu rosto. Apesar disso, autoridades locais afirmam que Mojtaba segue no controle total, recebendo relatórios, participando de reuniões com os principais dirigentes e tomando as decisões mais importantes do país, embora tenha delegado uma parte significativa da administração a um grupo restrito de autoridades. Recentemente, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou ter participado de uma reunião de sete horas com o líder supremo.
Na última quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou a situação em entrevista ao programa de Glenn Beck, afirmando não acreditar que o líder iraniano esteja morto, mas sim gravemente ferido. Embora a justificativa oficial para o sumiço seja a preocupação com sua segurança, a falta de aparições começa a provocar desconforto até mesmo entre apoiadores do regime. Um integrante da milícia Basij, na cidade sagrada de Qom, afirmou anonimamente que a longa ausência pública afeta a confiança e a moral dos aliados da República Islâmica.
Estrutura de poder no Irã
Mesmo com a situação de Mojtaba permanecendo incerta, a estrutura política e militar do Irã conseguiu sobreviver a seis meses de guerra. O país ainda mantém capacidade para ameaçar o fluxo global de energia por meio do controle do Estreito de Ormuz e realizar ataques a aliados dos Estados Unidos no Golfo. Nesse processo, a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) ganhou ainda mais influência, ocupando uma posição central nas decisões estratégicas dentro de uma estrutura reorganizada em torno do Conselho Supremo de Segurança Nacional, que inclui comandantes da Guarda, o presidente Pezeshkian e o presidente do Parlamento, Mohammed Baqer Qalibaf.
Especialistas apontam que a ausência de Mojtaba pode se tornar um entrave político em um momento que exige decisões estratégicas, como um eventual acordo com Washington ou a continuidade da guerra. Recentemente, a IRGC anunciou um acordo com Omã para compartilhar receitas das taxas de navegação pelo Estreito de Ormuz, embora fontes iranianas seniores ressaltem que os detalhes ainda não foram finalizados. O Estreito de Ormuz, por onde transitava 20% do petróleo e gás mundial antes do conflito, está efetivamente bloqueado desde os bombardeios de 28 de fevereiro, elevando os preços globais de combustíveis e resultando em ataques intermitentes a navios não autorizados por Teerã.
