Em menos de três meses, três presidentes latino-americanos adotaram medidas para endurecer as políticas de imigração de seus respectivos países, espelhando a abordagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desde o início de seu segundo mandato em janeiro de 2025. As ações incluem desde a proibição de entrada de estrangeiros que promovam mensagens hostis até operações policiais voltadas à expulsão de imigrantes sem documentos.
As iniciativas ocorrem em um cenário de fortalecimento da direita na região, com líderes alinhados a Trump que buscam apoio ou alinhamento político. Os três países que implementaram as novas diretrizes são Argentina, Chile e Colômbia.
Chile
O Chile foi o pioneiro nas novas medidas. Em 1º de junho, o presidente José Antonio Kast anunciou um plano voltado a incentivar o retorno voluntário de imigrantes não documentados aos seus países de origem, com a possibilidade de solicitarem um novo ingresso posteriormente de maneira regular. Kast declarou que a recepção a estrangeiros sempre ocorreu de forma acolhedora, mas que o processo deve ser ordenado.
Posteriormente, o governo chileno apresentou propostas de reforma para ampliar o período de detenção de imigrantes antes da expulsão, estendendo o prazo de cinco para até 60 dias, além de alargar a definição legal de tráfico de migrantes para abranger também aqueles que facilitam a saída e o transporte interno de pessoas indocumentadas.
Argentina
Na Argentina, o governo liderado por Javier Milei assinou em 29 de julho um decreto que proíbe a entrada ou determina a expulsão de qualquer estrangeiro que dirija ou incite mensagens de ódio, discriminação ou violência contra a população e os símbolos nacionais argentinos. A medida foi justificada pela Presidência como uma resposta a demonstrações recentes de hostilidade contra o país.
Colômbia
A Colômbia adotou posturas semelhantes em 24 de agosto, quando o presidente Abelardo de la Espriella determinou o início imediato de operações policiais coordenadas para expulsar imigrantes indocumentados ou aqueles que cometessem crimes. Em balanço preliminar, a agência de imigração colombiana informou que estrangeiros foram alvos de expulsão ou deportação devido a riscos à segurança nacional e antecedentes criminais.
Análise de especialistas
Analistas apontam diferentes motivações para as mudanças. Patricio Navia, professor da Universidade de Nova York, avalia que os governos buscam responder a problemas públicos reais decorrentes do aumento expressivo da população imigrante nas últimas décadas, que gera maior demanda por habitação, saúde e educação. Por outro lado, Lucas Martínez-Villalba, professor do Tecnológico de Monterrey, pondera que o endurecimento também tem o objetivo de obter aprovação política e comercial de Donald Trump, alinhando-se à percepção de que a migração representa uma ameaça aos valores locais.
