A fabricante suíça de chocolates premium Lindt & Sprüngli anunciou nesta segunda-feira (19) a saída de seu presidente-executivo, Adalbert Lechner. A decisão ocorre após resultados fracos na Europa e duas reduções consecutivas na projeção de vendas da companhia para 2026.
Para o lugar de Lechner, que estava no cargo desde outubro de 2022, o ex-presidente-executivo Dieter Weisskopf assumirá o comando da empresa de forma interina com efeito imediato. A corporação informou que pretende apontar um substituto definitivo no segundo trimestre de 2027.
Em nota oficial, a companhia justificou a alteração afirmando que necessita de uma nova liderança operacional para assegurar um crescimento consistente e explorar novas oportunidades nos mercados internacionais.
Impacto do preço do cacau e da demanda europeia
A transição no comando acontece em um cenário de forte pressão gerada pelo encarecimento do cacau e por um consumo enfraquecido de chocolates na Europa. Em setembro, a empresa já havia revisado para baixo, pela segunda vez no ano, as expectativas de vendas para 2026.
O avanço nos custos da principal matéria-prima dos chocolates representa um obstáculo relevante para a Lindt. Dados históricos de mercado apontam que os contratos futuros de cacau na bolsa de Londres eram cotados a £ 4.356 por tonelada em 16 de outubro, registrando uma forte alta em comparação com as £ 2.057 por tonelada observadas no início de fevereiro.
O encarecimento do cacau é impulsionado por fatores climáticos irregulares, como alternâncias entre secas e chuvas excessivas, que colocam em risco a produção na Costa do Marfim e em Gana, considerados dois dos maiores produtores globais da commodity. O receio de uma safra reduzida eleva a tensão na oferta e empurra as cotações para cima no mercado internacional.
O impacto dessa alta nos custos costuma chegar ao consumidor final de forma gradual. Isso ocorre porque os fabricantes podem contar com contratos de aquisição antecipada e estoques estratégicos. No entanto, ao renovarem os contratos com valores elevados, as companhias precisam optar entre comprimir suas margens de lucro ou repassar os custos adicionais ao público, o que encarece os itens nas prateleiras.
Além das dificuldades com a matéria-prima, a empresa lida com uma demanda retraída no continente europeu, com maior intensidade nos países de língua alemã, abrangendo Alemanha, Áustria e Suíça.
Queda nas ações e reações do mercado
O ano de 2026 tem sido desafiador para os acionistas da fabricante de chocolates. Segundo dados da Reuters, os papéis da Lindt acumulavam desvalorização de aproximadamente 25% no ano, registrando um recuo adicional de 1,7% logo após a divulgação da troca na presidência-executiva.
Analistas do banco suíço Vontobel avaliaram que o conselho de administração deveria ser questionado por não ter tomado providências antes, levando em conta que a experiência anterior de Lechner estava justamente voltada para os mercados da Alemanha e da Áustria, que figuram entre os mais afetados.
Em contrapartida, um porta-voz da Lindt declarou que a alteração na cúpula diretiva não provoca mudanças nas projeções financeiras estabelecidas pela empresa para os resultados de 2026.
Fonte: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2026/10/19/cacau-chocolate-ceo.ghtml
