Em programa eleitoral exibido na quinta-feira (17.set.2026), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que os preços dos alimentos dispararam durante a gestão de seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL). De acordo com a propaganda, a inflação de alimentos no período foi a maior dos últimos 30 anos.
“Vamos falar a verdade. No governo Bolsonaro, o preço dos alimentos disparou. E eu vou te mostrar como isso afetou e ainda afeta a sua vida. O feijão e o arroz subiram mais de 45% e a fome voltou. O desemprego cresceu”, afirmou trecho do programa eleitoral.
A peça de campanha mencionou valores específicos registrados durante a administração anterior, apontando que o feijão chegou a R$ 12, o pacote de arroz de 5 kg alcançou R$ 45 e o litro de óleo de cozinha atingiu R$ 12. Além disso, a propaganda apontou uma alta de 57% nos preços dos alimentos no período. O percentual baseia-se em um levantamento de janeiro de 2023 da Folha de S.Paulo com dados da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), indicadores que medem preços na cidade de São Paulo e diferem da inflação oficial nacional.
Dados do IBGE também apontam forte alta nos custos dos alimentos no período por meio do grupo Alimentação e bebidas do IPCA, que subiu 6,37% em 2019, 14,09% em 2020, 7,94% em 2021 e 11,64% em 2022. No primeiro ano da pandemia de covid-19 (2020), o arroz subiu 76,01% e o óleo de soja avançou 103,79%. Em 2021, o arroz registrou recuo de 16,88%. Até outubro de 2021, a alta acumulada desde o início da pandemia era de 21,39%, com o arroz em 50,71%, o açúcar cristal em 46,73% e as carnes em 38,71%.
Especialistas e o Banco Central apontam que o movimento não teve causa única, coincidindo com choques externos causados pela pandemia de covid-19 e pela guerra na Ucrânia. O Banco Central destacou em cartas que a inflação de 2021 e 2022 foi pressionada por commodities, desequilíbrios globais de oferta e demanda, gargalos produtivos e impactos do conflito na Europa sobre grãos, trigo, milho, petróleo e fertilizantes.
O programa eleitoral também incluiu críticas de Lula a medidas econômicas passadas: “Custo de vida é coisa séria e você precisa saber a verdade. Tem gente prometendo baixar o preço das coisas, mas quando eles tiveram a caneta na mão, o arroz e o feijão chegam às alturas. Os impostos que zeraram foi de jet ski e de jatinho. Entregaram de mão beijada a distribuição do refino dos combustíveis aos estrangeiros”.
Variações no governo atual
A inflação de alimentos também apresentou altas em anos do atual governo. Conforme o IBGE, o grupo Alimentação e bebidas do IPCA cresceu 1,03% em 2023, 7,69% em 2024 e 2,95% em 2025. Em 2024, a alimentação no domicílio aumentou 8,23%, impulsionada por altas de 20,84% nas carnes, 39,60% no café moído e 18,83% no leite longa vida.
Em 2026, o mesmo grupo registrou recuo de 0,67% em julho e de 0,34% em agosto. Contudo, dados da Conab e do Dieese apontam que o preço da cesta básica seguiu com alta acumulada nas 27 capitais até agosto de 2026, com variações que oscilaram de 2,82% em Brasília a 12,29% em Porto Velho.
