O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quinta-feira (17), em entrevista à rádio Itatiaia, que o governo não adotará medidas de penalização contra a parcela mais pobre da população para favorecer os mais ricos. O mandatário e candidato à reeleição defendeu a manutenção da correção do salário mínimo com base na inflação e assegurou que aposentados continuarão recebendo ajustes.
Durante a entrevista, o chefe do Executivo refutou a associação entre o reajuste do piso nacional e a inflação. "Aumento do salário mínimo não causa inflação, isso é uma imbecilidade", afirmou, sustentando que sua gestão comprovou essa premissa entre os anos de 2003 e 2010. O presidente reforçou sua posição contrária aos moldes tradicionais de contenção de gastos: "Ninguém vai me fazer fazer o pobre pagar o preço de qualquer ajuste fiscal, porque quando fala em ajuste fiscal, é o pobre que paga", acrescentou.
No final do mês de agosto, a administração federal encaminhou ao Congresso Nacional o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) referente a 2027. O texto prevê um salário mínimo de R$ 1.741 — o que representa um acréscimo de R$ 120 ou 7,4% em comparação ao valor vigente de R$ 1.621 —, além de alterações na estrutura dos gastos públicos. O impacto desse reajuste alcança diretamente aposentadorias, pensões e demais benefícios atrelados ao piso nacional.
Defesa do Bolsa Família e metas sociais
Na mesma ocasião, o presidente abordou o programa Bolsa Família, qualificando-o como o principal símbolo global de inclusão social. Segundo dados citados na entrevista, o número de beneficiários recuou de 25 milhões para 18 milhões devido à melhoria nas condições de vida da população. "O povo pobre é honesto. Ele está no Bolsa Família, mas quando ele arranja um emprego que ele ganha melhor, ele deixa o Bolsa Família", pontuou.
Lula garantiu a continuidade da iniciativa caso seja reeleito, embora tenha ponderado que o objetivo de longo prazo é o encerramento da necessidade do benefício por meio de investimentos na educação. "A gente vai continuar mantendo o Bolsa Família, sonhando que um dia não precise mais", declarou.
