As primeiras 72 horas da reta final da eleição presidencial revelam estratégias distintas entre os candidatos. Enquanto o presidente-candidato Lula e o Partido dos Trabalhadores buscam culpados e razões para a queda eleitoral, Flávio Bolsonaro adota uma postura de governante, anunciando pacotes de medidas políticas e econômicas.
No primeiro turno, Lula obteve 53,8 milhões de votos, ficando 2,3 milhões de votos atrás de Flávio Bolsonaro. A diferença de 1,8% é equivalente à margem da vitória de Lula sobre Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022. O total de votos do atual presidente representa uma redução de quase 4 milhões em comparação ao primeiro turno de 2022.
Com 37 anos de experiência em disputas presidenciais, Lula declarou na quarta-feira (7/10) reconhecer sua vulnerabilidade na disputa: "Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade, poderíamos ter feito mais. Essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989."
Embora as urnas tenham indicado um forte desejo popular por mudanças, Lula manteve o foco em balanços de suas realizações em três mandatos, demonstrando dificuldade em projetar um discurso voltado para o futuro e para a renovação. Em contraste, Flávio Bolsonaro baseou sua estratégia na palavra "mudança", gerando fatos e imagens cotidianas para simular o exercício do poder presidencial.
Utilizando o argumento de que o resultado reflete a vontade do eleitorado e a composição do Congresso Nacional a partir de janeiro, Flávio Bolsonaro afirmou que nenhum presidente com seu perfil se alinhou tanto a um parlamento de centro-direita com identidade programática.
Contudo, a articulação legislativa exigirá negociações. O Partido Liberal (PL) conquistará a maior bancada na Câmara, com 121 dos 513 deputados, e no Senado, com 28 dos 81 senadores, mas precisará negociar com legendas do Centrão. Para aprovar emendas constitucionais na Câmara, são necessários 308 votos, exigindo 187 votos adicionais. No Senado, o PL precisará de mais 26 votos além dos seus para atingir o mínimo de 54 necessários para emendas à Constituição ou para o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Apesar desses desafios numéricos no Legislativo, o candidato Flávio Bolsonaro mantém o foco em consolidar perante o eleitorado a imagem de que já está governando o país.
