O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia destacar na Assembleia Geral da ONU as ações adotadas pelo Brasil no enfrentamento ao crime organizado, conforme informou nesta quarta-feira (16) o Secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Itamaraty, embaixador Carlos Márcio Cozendey.
A Assembleia Geral da ONU está marcada para o dia 22, na sede da organização em Nova York. De acordo com Cozendey, a expectativa é que o mandatário brasileiro aborde o tema sob a ótica dos esforços realizados pelo país e do grau de cooperação internacional existente na área.
A previsão de debater o assunto surge após novas declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, a respeito da atuação do Brasil contra o crime organizado. Em documento enviado ao Congresso norte-americano e divulgado pelo Departamento de Estado, o governo dos EUA apontou falhas do Brasil no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), defendendo medidas agressivas para conter os grupos. Anteriormente, Trump já havia classificado as facções como entidades terroristas, o que foi interpretado pelo governo brasileiro como um atentado à soberania nacional.
Segundo o Itamaraty, o discurso também deve mencionar acordos de cooperação internacional firmados com vizinhos e com os próprios Estados Unidos para fortalecer o trabalho conjunto. O secretário destacou ainda a perspectiva de negociação de um protocolo adicional na Convenção da ONU contra o Crime Organizado Transnacional voltado ao combate a crimes ambientais.
Além da segurança, o pronunciamento deve abranger pilares tradicionais da política externa, como multilateralismo, negociações de paz, respeito ao direito internacional humanitário e fortalecimento da ONU, além de reiterar a rejeição a interferências externas nos assuntos internos.
Agenda e comitiva
Lula tem desembarque previsto em Nova York para o domingo (20). A segunda-feira (21) será dedicada a agendas bilaterais, com reuniões confirmadas até o momento com o secretário-geral da ONU, António Guterres, e com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Encontros com Donald Trump não foram confirmados, mas podem ocorrer de forma improvisada.
O retorno ao Brasil ocorrerá logo após o discurso de abertura, na terça-feira (22). O chefe do Executivo viajará com uma comitiva ministerial reduzida devido a compromissos com a campanha eleitoral. Até o momento, os ministros confirmados são Mauro Vieira (Relações Exteriores), Esther Dweck (Gestão e Inovação), Sônia Guajajara (Povos Indígenas) e Raquel Barros (Igualdade Racial), além do assessor especial Celso Amorim e de equipe técnica.
