A recente declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que não foi o responsável pela indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal (STF) integra uma estratégia para afastar sua imagem da crise em torno do ministro e da Corte. A avaliação é do editor de VEJA, José Benedito da Silva, durante o programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol.
Segundo o editor, Moraes tornou-se um “ativo bastante tóxico” para o presidente diante da possibilidade de a oposição explorar o episódio eleitoralmente. A manifestação de Lula busca deixar claro qual presidente efetivamente indicou o magistrado, visto que a nomeação ocorreu durante o governo de Michel Temer.
Apesar da tentativa de distanciamento, José Benedito apontou que a proximidade entre Lula e o ministro aumentou nos últimos anos. O editor destacou que ambos mantiveram encontros e atuaram como interlocutores frequentes, tornando difícil apagar a associação construída entre os dois. Para o especialista, o ministro passou a ser o principal personagem utilizado pela oposição para explorar politicamente a crise.
Entre as incógnitas levantadas pelo editor está o real impacto que a toxicidade atribuída a Moraes terá na disputa presidencial. A dúvida central é se o episódio produzirá alterações relevantes na corrida eleitoral, o que deve ser medido por futuras pesquisas após o desfecho do julgamento e da decisão do Supremo.
José Benedito avalia que a tendência é de que o distanciamento por parte de Lula se intensifique. O editor acredita que o presidente busca evitar qualquer associação com o ministro, devendo o movimento se tornar cada vez mais firme. O principal desafio para Lula será verificar se a lembrança da indicação de Temer conseguirá se sobrepor à proximidade mantida com Moraes recentemente perante o eleitorado.
