O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou em Nova York na noite de domingo (20) para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Tradicionalmente, o chefe de Estado brasileiro é o primeiro líder a discursar na abertura da cúpula, programada para terça-feira (22).
Expectativas para o discurso na ONU
De acordo com briefing divulgado pelo Itamaraty, o presidente deve enfatizar a soberania nacional em seu pronunciamento. O próprio Lula declarou que pretende solicitar que os Estados Unidos não interfiram nas eleições brasileiras, embora a diplomacia do país negue tom eleitoral na fala e ressalte que Donald Trump não deve ser citado nominalmente, apesar das críticas recentes ao governo norte-americano. O atrito diplomático envolve acusações brasileiras de violação de soberania desde o primeiro tarifaço aplicado pela Casa Branca contra produtos do Brasil no ano passado.
A pauta do discurso também abrangerá o cenário internacional, incluindo críticas ao aumento dos conflitos globais, defesa de negociações pacíficas e alertas sobre os impactos das guerras na economia mundial, na produção e no preço dos alimentos. Lula abordará ainda a expansão da corrida armamentista e a disputa global por recursos naturais estratégicos.
No setor ambiental, o presidente planeja citar a COP30, posicionando o Brasil como defensor de um modelo de desenvolvimento que una preservação ambiental e crescimento econômico. O tema da regulação das plataformas digitais também integrará a fala, com menções ao ECA Digital, à proteção de mulheres e crianças, e aos desafios da inteligência artificial.
Crime organizado e relações com os Estados Unidos
O combate ao crime organizado transnacional marcará presença na intervenção de Lula, em resposta a recentes acusações de Donald Trump contra o Brasil. O presidente brasileiro detalhará medidas nacionais contra grupos criminosos, mencionando acordos de cooperação firmados com os norte-americanos. Em documento direcionado ao Congresso dos EUA, Trump alegou falhas do governo brasileiro no enfrentamento ao PCC e ao CV, exigindo ações agressivas. Para a equipe diplomática de Lula, as acusações da Casa Branca em relação ao tema ocultam outros interesses.
Não há reunião bilateral agendada ou pedido formal entre Lula e Trump até o momento. Contudo, o Palácio do Planalto avalia a possibilidade de um contato informal durante a cerimônia, visto que Lula abre os discursos e Trump discursa na sequência, o que pode facilitar um encontro fortuito na saída e entrada das áreas reservadas. Auxiliares apontam que a relação permanece preservada e relembram diálogo anterior que resultou em canais de comunicação diretos, embora interlocutores avaliem que a aproximação com outras lideranças possa gerar atritos nas negociações comerciais bilaterais.
Agenda de reuniões e encontro com prefeito de Nova York
Entre as agendas confirmadas à margem do evento da ONU, Lula se reunirá com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, na residência do embaixador Sérgio Danese, representante do Brasil na ONU. A solicitação partiu de Mamdani, que assumiu o cargo em janeiro e é o segundo prefeito socialista e o mais jovem da história da cidade em mais de um século, aos 34 anos. A equipe de Lula analisa cerca de 30 pedidos de reuniões bilaterais, tendo também confirmada uma entrevista com a jornalista Christiane Amanpour, âncora da CNN.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/lula-chega-a-nova-york-para-assembleia-geral-da-onu/
