Em entrevista exclusiva à âncora Christiane Amanpour, da CNN, realizada na segunda-feira (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as operações militares dos Estados Unidos em outros países e relembrou a morte do ex-presidente do Iraque, Saddam Hussein.
Durante a conversa, Lula afirmou que Saddam foi morto pelos americanos sob o argumento de existência de armas químicas no Iraque, armamento que, segundo o presidente brasileiro, nunca foi encontrado. “Mataram o Saddam Hussein e até agora não acharam uma arma química. Eu fico me perguntando até quando o mundo vai ficar subordinado à mentiras”, declarou.
A fala gerou repercussão negativa e críticas nas redes sociais, como X e TikTok, onde usuários acusaram o chefe do Executivo brasileiro de fazer uma defesa do ditador iraquiano, morto em 2006. Não foi a primeira vez que Lula utilizou o exemplo. Em 21 de março deste ano, durante encontro entre chefes da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da África, o presidente já havia questionado o paradeiro do armamento iraquiano e feito menção a invasões sob pretextos nucleares.
Críticas a ações na Venezuela e no Pacífico
Além do caso do Iraque, Lula abordou as ações de Washington na Venezuela e os ataques contra embarcações acusadas de narcotráfico no Pacífico. Na visão do presidente, essas iniciativas ignoram a segurança territorial das nações.
- Segurança territorial: “A segurança territorial dos países não existe. Qualquer país agora pode invadir um outro país”, disse o líder brasileiro.
- Venezuela e narcotráfico: Sobre Nicolás Maduro, capturado pelos Estados Unidos em Caracas e preso em território americano desde 3 de janeiro sob quatro acusações de tráfico de drogas e armas, Lula pontuou: “Se tinha narcotráfico na Venezuela, prende o narcotraficante. Agora, mataram muita gente lá, nos barcos, e não provaram ainda nenhum traficante. Não mostraram nenhuma droga, não mostraram nada. Só prenderam”.
Donald Trump e tarifas
Na mesma entrevista, Lula voltou a se referir ao presidente norte-americano, Donald Trump, como “imperador”. Para o brasileiro, a forma de governo de Trump impõe a lei do mais forte. “O Trump foi eleito para ser presidente dos EUA. Ele tem o direito de governar para EUA, mas ele não tem o direito de governar outros países. Não tem o direito de impor a sua vontade”, afirmou.
Sobre o cenário econômico, Lula classificou o tarifaço imposto pelos Estados Unidos contra o Brasil como baseado em mentiras e destacou o déficit comercial bilateral. O presidente ressaltou que prefere buscar acordos por meio de negociações, mas alertou que, caso Washington recuse o diálogo, o governo brasileiro precisará adotar medidas amparadas pela Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional.
