O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, voltou a criticar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na noite desta quarta-feira (23). Durante uma agenda de campanha no Rio de Janeiro, o petista afirmou que o líder norte-americano discursa como se estivesse ameaçando a todos.
“Ele fala em toda reunião, ‘eu sou o maior do mundo, eu tenho o maior do mundo, eu gosto do maior do mundo’, sabe? Como se tivesse ameaçando todo mundo”, declarou Lula. O chefe do Planalto também pontuou que não deseja entrar em conflito com o homólogo norte-americano, preferindo superá-lo no campo discursivo: “Eu, como um ser do meu tamanho, eu não quero fazer guerra com ele, eu quero ganhar dele na narrativa, e nós estamos ganhando na narrativa”.
O presidente mencionou o pronunciamento que realizou na Assembleia Geral da ONU na terça-feira (22) e recomendou que os eleitores comparem seu posicionamento com o de Trump. Segundo Lula, é relevante analisar a diferença entre a fala de um dirigente de um país em desenvolvimento e a de um líder que inicia discursos exaltando o poder militar e bélico de sua nação.
Na conferência da ONU, Lula foi o primeiro chefe de Estado a discursar, ocasião em que defendeu a soberania brasileira e ressaltou que a população decidirá em outubro entre “democracia e negacionismo”.
No evento cultural realizado no Rio de Janeiro com lideranças políticas e artistas para apresentar propostas para o setor, estiveram presentes a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja.
Histórico de críticas e preocupação com as eleições
Nos últimos dias, o líder brasileiro tem intensificado as declarações contra o norte-americano. Em entrevista recente à âncora da CNN Christiane Amanpour, realizada na segunda-feira (21), Lula voltou a se referir a Trump como “imperador”, termo que já havia utilizado em ocasiões anteriores, como em julho do ano passado e em junho deste ano, quando afirmou que o chefe da Casa Branca age como um imperador que “fala muito e ouve pouco”.
Lula também tem manifestado apreensão com uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. O petista relatou ter conversado com Donald Trump sobre o tema e afirmou que o presidente dos EUA garantiu que não pretende se envolver no pleito de outubro. A porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, declarou em entrevista exclusiva à CNN Brasil nesta quarta-feira que atuar sobre eleições estrangeiras não integra a estratégia americana.
Em sentido oposto, um relatório enviado no fim de agosto ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao TSE pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apontou que a chance de influência dos Estados Unidos nas eleições de outubro aumentou para um “nível de criticidade”. O documento cita papéis do governo norte-americano datados entre novembro de 2025 e maio de 2026, apontando uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil”.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/lula-volta-a-criticar-trump-fala-como-se-estivesse-ameacando/
