O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta quarta-feira (23) que terá "imenso prazer" em encerrar as atividades das bets no Brasil, caso venha a ser reeleito. A declaração ocorreu durante um evento voltado a artistas na Fundição Progresso, situada na Lapa, na região central do Rio de Janeiro.
O encontro contou com a presença de diversas personalidades, entre elas Chico Buarque, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Humberto Carrão, Marieta Severo, Malu Mader, Xamã, Danielle Winits, Tati Quebra Barraco, Letícia Sabatella e Daniela Mercury.
Críticas aos algoritmos e às plataformas
Durante seu discurso, Lula expressou preocupação com o impacto dos algoritmos sobre os jovens e defendeu a necessidade de regulação das plataformas digitais, citando o exemplo do ECA Digital. "Precisamos motivar nossa juventude, que já foi mobilizada por muitas coisas boas. Minha preocupação é que parte dela esteja cada vez mais atrelada aos algoritmos. Se não fizermos essa luta, os algoritmos vão ganhar", pontuou o presidente.
Posicionamento sobre as casas de apostas no futebol
O chefe do Executivo também criticou o envolvimento das empresas de apostas no financiamento de clubes de futebol. Segundo o presidente, ele soube da elaboração de um documento por parte de clubes contrários ao fim das bets, sob o argumento de que a proibição prejudicaria o esporte.
Lula rebateu a tese relembrando períodos em que as equipes obtiveram grandes conquistas sem esse patrocínio:
- Santos: citado como um dos melhores times em períodos sem o patrocínio de bets.
- Flamengo: lembrado como campeão mundial em 1981 sem o auxílio dessas empresas.
- Outras equipes mencionadas pelo presidente incluem Corinthians, Internacional, Grêmio e São Paulo, além de conquistas da seleção brasileira.
Para o presidente, as plataformas não proporcionam entretenimento e operam com recursos financeiros de populações de baixa renda. "Agora chega a bet, que não oferece nenhum entretenimento para ninguém, e fica financiando os clubes com o dinheiro do pobre. É o pobre que aposta, que fica doente, que se mata por estar endividado", declarou.
Ao finalizar sua participação, Lula reforçou que a medida contra as empresas de apostas não se trata de um conflito, mas de uma deliberação definitiva. "Essa não é uma guerra, é uma decisão: nós vamos acabar com as bets", concluiu.
