O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na sexta-feira (18), durante agenda oficial no Rio de Janeiro, que o governo federal precisa proteger o petróleo recém-descoberto na Margem Equatorial, localizada na região do Amapá. A declaração ocorreu em um contexto de tensões diplomáticas com o líder norte-americano Donald Trump e incluiu a defesa de riquezas nacionais, como terras raras e minerais críticos.
Segundo o chefe do Executivo, a gestão federal precisa assegurar essas reservas diante do interesse internacional. “Então, temos que tomar conta disso. O Pré-Sal fica a 300 km da margem das nossas praias. Nós temos que tomar conta, porque o Trump está por aí atrás de minerais críticos, atrás de petróleo, atrás de terras raras. Não, isso aqui é nosso”, declarou.
Durante o evento, Lula também avaliou que o país precisa aprimorar a defesa nacional e reavaliar a atuação das Forças Armadas nas fronteiras. O presidente mencionou a construção de pontes internacionais durante seus mandatos, como as ligações entre o Brasil e a Bolívia e entre o Brasil e o Peru, ressaltando que cuidar das fronteiras significa vigiar regiões inóspitas.
As terras raras compreendem um grupo de 17 elementos químicos dotados de propriedades magnéticas e eletrônicas fundamentais para a fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa. Já os minerais críticos são insumos essenciais caracterizados por alta vulnerabilidade de suprimento e relevância econômica, conforme definições da Agência Internacional de Energia e do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Estimativas do USGS apontam que o território brasileiro detém uma das maiores bases de terras raras fora do continente asiático.
Posicionamento sobre o crime organizado e Donald Trump
Durante a mesma agenda, Lula voltou a citar Donald Trump ao abordar o combate ao crime organizado no Brasil. O presidente declarou rejeitar a classificação de facções criminosas como organizações terroristas, termo utilizado pelo mandatário dos Estados Unidos.
“Precisamos ganhar do crime organizado. Não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump. Quando o Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado, não fala da briga pelo poder. Quem era isso era o Bolsonaro tentando dar o golpe de 8 de Janeiro. Isso é terrorismo, pensando em matar Lula, Alckmin e até Alexandre de Moraes. Esse era o plano. Isso é terrorismo de Estado”, afirmou o presidente.
As falas de Lula surgem após informações de que o exército dos Estados Unidos planeja enviar drones MQ-9 Reaper — atualmente em operação na África — para o comando militar encarregado da América do Sul, como parte de ações antidrogas e antiterrorismo. Recentemente, em um documento enviado pelo Congresso estadunidense na terça-feira (15) com foco no combate ao tráfico de entorpecentes, Trump alegou que o governo do Brasil falhou no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV).
