O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Nova York neste domingo, 20, para aquela que pode ser sua última participação na Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU). A viagem acontece a duas semanas do primeiro turno das eleições brasileiras, marcado para 4 de outubro.
O principal compromisso de Lula está agendado para terça-feira, 22, quando fará o pronunciamento que tradicionalmente inaugura a participação dos chefes de Estado no encontro anual. Por tradição, o Brasil é o primeiro país a discursar na Assembleia-Geral desde 1955. A 81ª edição do evento será comandada por Khalilur Rahman, ministro das Relações Exteriores de Bangladesh, sob o lema “Restaurando a confiança e administrando transformações: uma ONU que produza resultados para todos”. A previsão inicial é que o presidente fale por cerca de 20 minutos.
Na sequência do discurso brasileiro, será a vez de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, país anfitrião. Embora não haja uma reunião bilateral programada entre os dois líderes, a agenda pode proporcionar um contato informal semelhante ao ocorrido em setembro de 2025, quando trocaram palavras nos bastidores. O episódio anterior ajudou a retomar o diálogo após atritos e abriu caminho para negociações sobre tarifas impostas por Washington, sanções financeiras e restrições de vistos.
O ambiente diplomático, no entanto, voltou a se deteriorar. Os governos do Brasil e dos EUA divergiram recentemente em questões comerciais e sobre o combate a organizações criminosas brasileiras, classificadas como terroristas pelo governo americano. Houve ainda a retirada do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
A conjuntura eleitoral deve influenciar a passagem do presidente pelos Estados Unidos. O governo brasileiro demonstra preocupação com possíveis iniciativas de Washington que possam interferir na disputa presidencial. Nesse cenário, Lula deve usar a tribuna da ONU para defender a soberania do Brasil em temas como comércio, exploração de recursos estratégicos, segurança pública e eleições.
Outros compromissos da agenda
Antes do pronunciamento principal, Lula cumprirá outros compromissos na cidade. Na segunda-feira, 21, ele se reunirá com o prefeito de Nova York, o socialista Zohran Mamdani, que convidou o presidente e é conhecido por ser uma das figuras que mais antagonizam com Trump. Também está previsto um encontro com António Guterres, atual secretário-geral da ONU.
A viagem internacional ocorre logo após a retirada da candidatura de Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, para suceder Guterres. Apoiada pelo Brasil, Bachelet anunciou sua saída da disputa no sábado, 19, após consultas no Conselho de Segurança indicarem resistência de pelo menos um dos cinco membros permanentes do órgão.
