Em entrevista exclusiva à CNN Brasil neste sábado (17), a empresária Roberta Luchsinger afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisa perguntar ao seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, qual é a sua ocupação profissional. Roberta é investigada em um inquérito que apura sua relação com o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e com o filho do petista.
“Com o que o filho dele trabalha? Ele já foi perguntar? Pergunta isso para o presidente. Ele sabe responder? Ele não sabe. Então, se ele quer emitir opinião sobre a minha vida, a minha moral e a minha conduta, ele tem que começar pela casa dele”, declarou a empresária, acrescentando que Lula deveria conversar melhor com o filho e resguardar ou proteger o próprio entorno.
A empresária comparou sua situação à de Lulinha e alegou ter precisado fazer inúmeros pedidos ao STF (Supremo Tribunal Federal) para prestar depoimento à Polícia Federal (PF), sustentando que não possui um “pai presidente” e que sua vida está sendo destruída. A PF investiga Lulinha em três inquéritos autorizados pelo STF a partir do fim de julho, sob a relatoria dos ministros André Mendonça e Flávio Dino, para apurar suposto tráfico de influência e corrupção em prol de empresas junto ao governo federal. Lulinha entrou na mira após a revelação de sua proximidade com Roberta Luchsinger, alvo da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em benefícios do INSS e resultou na apreensão de seu celular em dezembro do ano passado. Relatórios da corporação apontam que Roberta teria trabalhado para o “Careca do INSS” como operadora financeira e política e admitiu ter apresentado o filho do presidente ao lobista.
Críticas e repercussão
Em mais de uma ocasião, Lula se referiu a Luchsinger como “pilantra”. No início de outubro, em entrevista ao podcast Flow, o presidente a comparou ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master, afirmando que ela seria um “Vorcaro feminino” e que “enganou muita gente”. Em agosto, à TV Globo, o chefe do Planalto afirmou não conhecer a empresária e nunca ter conversado com ela. Após a declaração, repercutiram ao menos 12 fotos em que Luchsinger aparece ao lado de Lula. A campanha petista argumentou na época que as imagens não indicam relação pessoal e que o presidente, por ser figura pública, é frequentemente abordado para fotos.
Em nota oficial, a equipe de comunicação do presidente Lula afirmou que ele desconhece os fatos relatados pela empresária, que nunca manteve interlocução com ela, não recebeu suas demandas e que não há contratos do governo federal com Roberta. A nota também classificou as declarações como uma tentativa de tumultuar o processo democrático e interferir na livre escolha dos eleitores às vésperas do segundo turno da eleição.
A defesa de Fábio Luís, o Lulinha, também enviou nota negando irregularidades, afirmando que ele abriu dados bancários, fiscais e telemáticos e que sua relação com políticos é de natureza pessoal, oriunda de convívio desde a infância. A defesa classificou as insinuações de Roberta como incompatíveis com seu depoimento e atribuiu os ataques a vazamentos ilegais com o objetivo de controlar a pauta da imprensa no período eleitoral, acrescentando que a inocência será provada nos autos.
