O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (5) que “não há razão econômica, social e política” para não ser reeleito presidente da República. A declaração ocorreu durante uma reunião de coordenação para o segundo turno realizada em Brasília.
No segundo turno, o chefe do Executivo federal disputará o pleito contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Na primeira etapa da votação, Lula registrou 45% dos votos, enquanto o candidato do PL obteve 47%.
Durante o encontro com parlamentares e governadores eleitos, o presidente apontou que os indicadores do governo são positivos. Sobre as críticas da oposição em áreas sensíveis como a segurança pública, Lula argumentou que o tema já foi tratado pelo Palácio do Planalto com o envio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança.
“Em 1988, a responsabilidade passou para os estados. Ficou claro que o estado sozinho não dá conta. A bandidagem cresceu, ficaram sofisticados, entraram no poder Judiciário, partidos, clubes de futebol. O que pudemos fazer foi mandar para o Congresso uma medida que a União tomaria mais conta”, declarou o presidente.
A PEC da Segurança recebeu aprovação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em setembro, mas não avançou para análise do plenário. A expectativa governamental é obter o apoio dos senadores para fortalecer o discurso de combate ao crime organizado antes da nova votação.
Foco nas abstenções e estratégia para o segundo turno
Para as próximas três semanas, Lula destacou que o principal desafio da campanha será convencer os eleitores que se absteve no primeiro turno a comparecerem às urnas e escolherem o candidato petista.
“Vocês acham que eu não fiquei decepcionado? Eu sempre quero ganhar no primeiro turno. São 30 milhões de pessoas que não foram votar. O que aconteceu com elas? Se elas não gostassem dos candidatos que ganham, surgiria uma terceira via, que nunca aconteceu. Temos que convencer, a possível causa é desinteresse e a responsabilidade é nossa”, afirmou.
O primeiro turno do pleito contabilizou 33,4 milhões de abstenções, o equivalente a 21% dos cerca de 158,7 milhões de votantes aptos em 2026. Trata-se do maior percentual registrado desde 1998, quando o índice atingiu 21,5%. Em comparação, o pleito nacional de 2022 teve 32,7 milhões de eleitores ausentes, mantendo uma tendência de alta observada em 2014 (27,7 milhões) e 2018 (29,9 milhões).
Eleitores que não compareceram precisam justificar a ausência à Justiça Eleitoral no prazo de até 60 dias. Caso a justificativa não seja aceita ou não seja enviada no prazo, será aplicada uma multa no valor de R$ 3,51.
