A poucos dias do segundo turno da eleição presidencial, os candidatos Lula e Flávio Bolsonaro intensificaram a disputa pelo eleitorado com propostas econômicas que podem ampliar os gastos públicos. Entre as medidas discutidas estão o perdão de dívidas e iniciativas de alívio financeiro para a população.
No programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, o editor e colunista de VEJA Diogo Schelp analisou a ofensiva dos candidatos e os possíveis reflexos dessas iniciativas nas contas públicas. Para o especialista, a corrida por medidas de apelo popular transformou-se em uma disputa para saber quem oferece mais benefícios aos eleitores.
Perdão de dívidas e impacto fiscal
Durante visita a Porto Alegre, Lula destacou a aprovação pelo Congresso Nacional de uma proposta de anistia de débitos de microempreendedores individuais (MEIs). O presidente mencionou que a medida envolve R$ 15 bilhões em valores inscritos na dívida ativa da União. Além disso, Lula anunciou a intenção de criar um mecanismo para comprar dívidas de pessoas endividadas por meio de leilões, com expectativa de descontos de até 95%.
De acordo com dados apresentados por Schelp, a proposta de anistia envolve pouco mais de R$ 12 bilhões em dívidas ativas de MEIs com a União, gerando um impacto fiscal estimado em R$ 3 bilhões ao longo de três anos. O montante é menor que o total dos débitos porque grande parte dessa quantia já é considerada de difícil recuperação pelo governo. Segundo o colunista, o impacto ocorre por meio da renúncia de receitas que poderiam ser arrecadadas.
Um levantamento do Real Time Big Data apontou que o perdão de dívidas dos microempreendedores conta com o respaldo de 58% dos entrevistados no geral, chegando a 69% entre os eleitores de Lula e a 49% entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro.
Cenário eleitoral e novas despesas
O editor de VEJA observou que Flávio Bolsonaro também tem apresentado propostas capazes de elevar as despesas públicas, incluindo iniciativas semelhantes às defendidas pelo atual presidente, como o perdão de dívidas. Desse modo, o debate sobre os custos econômicos abrange os dois lados da disputa.
As promessas ocorrem em um momento de acirramento na corrida pelo Palácio do Planalto. A pesquisa do Real Time Big Data exibida no programa indicou Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos, frente a 48% de Lula. Levando em conta a margem de erro de dois pontos percentuais, os candidatos encontram-se empatados no limite do levantamento.
Para Schelp, Lula enfrenta dificuldades para reverter a vantagem do concorrente e recorre a anúncios econômicos na tentativa de obter apoio na reta final. Contudo, o colunista reforça que o adversário também participa desse movimento com propostas geradoras de novas despesas. “Então virou aí uma guerra de quem promete mais na reta final dessa eleição”, afirmou Schelp.
