A relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, fortaleceu-se a partir das eleições de 2022 e intensificou-se após o julgamento dos atos de 8 de Janeiro. Atualmente, contudo, a aproximação tornou-se um desafio para a campanha do petista em meio à crise envolvendo o magistrado e as investigações sobre o Banco Master.
Diante desse cenário, a campanha de Lula avalia estratégias para reduzir a associação com o ministro, considerado um aliado de peso na Suprema Corte. A intenção é resgatar o histórico pré-STF de Moraes, lembrando que ele foi indicado ao tribunal em 2017 por Michel Temer e adotou posturas contrárias a Lula no passado, argumentando que a proximidade recente não equivale a alinhamento político.
Histórico de proximidade e defesa mútua
Ao longo dos últimos anos, diversos episódios marcaram a aproximação entre o governo e o magistrado:
- 12 de dezembro de 2022: Na diplomação de Lula, Moraes classificou a vitória do petista como uma “vitória da democracia”.
- Setembro de 2024: Moraes participou das celebrações de 7 de Setembro, tornando-se alvo de críticas por parte de bolsonaristas.
- Atuação internacional: O governo Lula atuou diplomaticamente para reverter as sanções impostas pelos Estados Unidos contra Moraes sob a Lei Magnitsky em 2025, o que incluiu pedidos diretos do presidente brasileiro a Donald Trump.
- Interlocução política: Moraes também atuou como mediador em conversas entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, participando de reuniões para reaproximar os dois políticos.
Em declarações recentes, Lula elogiou a atuação do magistrado. Na quarta-feira (16.set.2026), o presidente afirmou que Moraes prestou serviços fundamentais à democracia brasileira ao conduzir o TSE durante a eleição de 2022 e ao atuar contra tentativas de descredibilizar as urnas eletrônicas.
Crise no STF e desdobramentos eleitorais
A crise institucional no STF ganhou intensidade na terça-feira (15.set.2026), quando o plenário discutiu uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes para adiar a análise sobre uma possível investigação envolvendo Moraes e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Após bate-bocas entre os ministros, um pedido de vista do ministro Flávio Dino suspendeu o julgamento por até 90 dias.
Com a possibilidade de o caso ser retornado apenas após o primeiro turno das eleições de 4 de outubro de 2026, a repercussão do tema impõe pressão sobre a reta final da campanha presidencial.
