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Lula eleva Bolsa Família para R$ 691 em aposta de última hora

Governo eleva Bolsa Família para R$ 691 mensais a partir de 19 de outubro em aposta na reta final da eleição presidencial.

Redação•22 de set. de 2026, 09:45
Lula eleva Bolsa Família para R$ 691 em aposta de última hora
Imagem: site

Lula eleva Bolsa Família para R$ 691 em aposta de última hora

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Na reta final da eleição, o governo anunciou um reajuste no Bolsa Família, elevando o benefício de 600 para 691 reais mensais a partir de 19 de outubro, no intervalo entre a primeira e a segunda rodada de votação. O acréscimo representa um aumento de 15% no programa de assistência social, que passou os últimos três anos sem reajustes.

A decisão de última hora ocorre em meio à redução da vantagem de Lula na liderança das pesquisas eleitorais em relação ao adversário Flávio Bolsonaro. A diferença, que já foi de dez pontos, caiu para cerca de cinco pontos. Na segunda-feira (21/9), as chances de reeleição oscilaram para baixo, marcando 40% no ranking de empresas de apostas de Nova York e Londres.

O impacto financeiro estimado para o governo é de um acréscimo de 22 bilhões nos gastos. O novo valor de 691 reais será equivalente ao custo de uma cesta básica de alimentos em 11 capitais — Manaus, Porto Velho, Rio Branco, Teresina, São Luís, João Pessoa, Maceió, Aracaju, Natal, Recife e Salvador. Por outro lado, o montante não cobre a mesma cesta básica nas outras 16 capitais; em São Paulo, por exemplo, o benefício ficará 23% abaixo do preço medido pelo Dieese.

Atualmente, o governo mantém 19 milhões de famílias no programa, público que conta com ao menos uma pessoa apta a votar em outubro. O movimento lembra a estratégia adotada por Jair Bolsonaro em 2022, quando o então presidente aplicou um aumento de 50% no programa a duas semanas da votação, embora o efeito anterior não tenha sido relevante para o resultado da disputa.

A medida foi implementada sem planejamento prévio e sequer consta no orçamento da União para o próximo ano, que foi apresentado ao Congresso há três semanas. A movimentação aponta para uma preocupação do governo com a perda de vantagem decorrente da debilidade na economia, do aumento do custo de vida, da insegurança pública e da falta de perspectiva de progresso.

Dados indicam que, desde janeiro, apenas dois em cada dez brasileiros avaliam que a economia melhorou, enquanto metade dos entrevistados pela Quaest mantêm uma avaliação ruim da gestão. No entanto, pesquisas encomendadas pelo governo indicam uma margem duvidosa de retorno eleitoral, visto que a fidelidade a Lula já estaria consolidada entre oito em cada dez eleitores dessa faixa de assistência estatal, concentrando-se as dificuldades do atual governo na classe média empobrecida e insegura diante da violência urbana.

Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/jose-casado/lula-improvisa-no-bolsa-familia-em-aposta-duvidosa-no-eleitor-mais-pobre/

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