O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já esgotou todas as suas possibilidades para tentar reverter um cenário eleitoral desfavorável, segundo avaliação do cientista político Alberto Carlos Almeida durante o programa CNN 360°.
Para o especialista, o eleitorado já está decidido e uma reviravolta no segundo turno representaria um fato inédito na história política do país. Almeida relembrou que já havia apontado, em março, em declaração ao jornal O Globo, que Lula despontava como favorito à derrota no pleito. Naquela época, a projeção se sustentava na avaliação da administração federal, que acumulava apenas 32% de ótimo e bom.
“Se Lula permanecesse com aquela avaliação ou chegasse na eleição abaixo de 38 ou abaixo de 36, ele era o favorito para perder”, pontuou o analista, acrescentando que a identidade do oponente seria indiferente naquele contexto.
Governo como campanha e cenário de mudança
Na visão de Almeida, a condução de uma gestão pública funciona intrinsecamente como uma campanha contínua. “Tudo o que Lula podia ter feito, ele já fez”, declarou o cientista político, reforçando que governar exige a conquista constante de respaldo popular e que administrações reprovadas pela maioria costumam fracassar nas urnas. “A eleição vira uma eleição de mudança, é o que nós estamos vendo nesse momento”, concluiu.
Impacto limitado de apoios políticos
O especialista também relativizou a influência das alianças formais firmadas por concorrentes eliminados na etapa inicial, a exemplo do apoio de Ronaldo Caiado a Flávio Bolsonaro. De acordo com Almeida, a interferência desses apoios sobre o comportamento do eleitor é reduzida.
“O eleitor já se definiu”, afirmou, acrescentando que “o eleitor de Ronaldo Caiado já vai para Flávio” e que as lideranças políticas apenas acompanham a base em vez de guiá-la. Além disso, o analista ressaltou que a exigência de maioria absoluta no sistema eleitoral brasileiro — critério mais restritivo que o de outras nações latino-americanas — torna as viradas no segundo turno altamente incomuns. Para ele, as adesões políticas mantêm importância primordial nas tratativas voltadas a um possível governo futuro, e não no aspecto eleitoral.
