O presidente Luiz Inácio Lula da Silva levantou uma camiseta com os dizeres “as Malvinas são argentinas” nesta sexta-feira (2), durante um ato de campanha realizado no centro do Rio de Janeiro. O gesto ocorreu em meio à relação marcada por atritos entre Lula e o presidente argentino, Javier Milei.
Apesar das divergências atuais entre os governos, o mandatário brasileiro mantém sua postura em favor da soberania argentina sobre as ilhas desde 2010. Há 16 anos, durante participação no Conselho de Segurança das Nações Unidas, Lula defendeu a reabertura da discussão sobre a jurisdição da região disputada por Argentina e Grã-Bretanha.
Na ocasião, o presidente questionou a presença britânica no arquipélago: “Qual é a explicação geográfica, política e econômica de a Inglaterra estar nas Malvinas? Qual a política de as Nações Unidas já não terem tomado uma decisão dizendo: não é possível que a Argentina não seja dona das Malvinas e seja um país (Grã-Bretanha) a 14 mil quilômetros de distância?”. O mandatário retomou a defesa da soberania em março de 2024, na Cúpula da Celac, em Kingstown, capital de São Vicente e Granadinas.
A atitude do presidente brasileiro a dois dias das eleições teve ampla repercussão na imprensa argentina, sendo destacada por jornais como Clarín, El Día e TN.
Contexto histórico das Ilhas Malvinas
O arquipélago das Malvinas está localizado no Oceano Atlântico Sul, a cerca de 500 km a leste do território continental da Argentina e a aproximadamente 13.000 km do Reino Unido. Composto por duas ilhas principais — Malvina Oriental e Malvina Ocidental — e outras 778 ilhas menores, o local abriga cerca de 3.660 habitantes, cuja economia se baseia principalmente em licenças de pesca, agropecuária e turismo.
O primeiro desembarque registrado nas ilhas ocorreu em 1690 pelo capitão naval inglês John Strong. A Grã-Bretanha assumiu formalmente a posse da Malvina Ocidental em 1765 e, após passagens de França e Espanha, reafirmou o controle em 1833, administrando o território desde então.
Disputa territorial e o conflito de 1982
A Argentina fundamenta sua reivindicação de soberania argumentando que herdou o território da Espanha após sua independência em 1816 e que a tomada britânica em 1833 constituiu um ato colonial ilegal. Por sua vez, o Reino Unido sustenta que os moradores locais possuem o direito de decidir o próprio futuro.
Em abril de 1982, a junta militar argentina liderada por Leopoldo Galtieri ordenou a invasão das ilhas. Em resposta, a então primeira-ministra britânica Margaret Thatcher enviou uma força-tarefa naval que recuperou o controle do território após 74 dias de combates. A Argentina rendeu-se em junho de 1982, resultando na morte de 649 argentinos, 255 militares britânicos e três habitantes locais. A derrota acelerou a queda do governo militar na Argentina e representou um marco político para Thatcher.
