O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcou para as 15h30 desta quinta-feira, 3, um evento no Palácio do Planalto para anunciar o que a agenda oficial do governo chama de “fila do INSS zerada”. Caso o objetivo seja confirmado, Lula terá cumprido mais uma promessa feita durante a campanha eleitoral de 2022 na área econômica.
Balanço das promessas econômicas de campanha
Na eleição, Lula apresentou oito compromissos relacionados à economia: isentar do Imposto de Renda quem recebe até 5 mil reais por mês, criar um programa de renegociação de dívidas, reduzir o preço da picanha, desatrelar os combustíveis do Preço de Paridade Internacional (PPI), substituir o teto de gastos, fazer a reforma tributária, propor uma nova legislação trabalhista e zerar a fila do INSS.
Até esta quinta-feira, cinco dessas promessas haviam sido integralmente cumpridas: a criação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até 5 mil reais, a substituição do teto de gastos pelo arcabouço fiscal, a mudança na política de preços dos combustíveis, a criação de um programa de renegociação de dívidas e a aprovação da reforma tributária.
Prazos e desafios na legislação e nos preços
A promessa de uma nova legislação trabalhista é mais difícil de enquadrar. Uma das iniciativas que podem ser relacionadas ao compromisso é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 e reduz gradualmente a jornada semanal de trabalho. A proposta, porém, ainda precisa ser aprovada pelo Senado e não entrou em vigor, por isso, não é possível considerar a promessa cumprida. Além disso, a PEC foi apresentada pela deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP), e não surgiu originalmente no governo.
Outra promessa que não se concretizou foi a de reduzir o preço da picanha. Dados da consultoria Safras & Mercado mostram que o preço do corte subiu 25,7% entre janeiro de 2023 e junho de 2026, mesmo após a correção pela inflação. A alta significa que, em termos reais, a picanha ficou mais cara durante o governo Lula.
Situação atual da fila do INSS
Apesar do anúncio previsto, os dados mais recentes até a manhã do evento apontavam uma fila de 1,282 milhão de requerimentos aguardando análise no INSS. O número, referente a dados parciais até 24 de agosto, é o menor da série histórica iniciada em janeiro de 2023, representando uma redução de 59% em relação aos 3,073 milhões iniciais.
Entre os processos aguardando há mais de 45 dias, a queda foi de 86%, passando de 1,882 milhão em janeiro para 261 mil em agosto. O total de requerimentos não corresponde necessariamente ao número de pessoas, pois um segurado pode ter mais de um pedido.
Recorde de concessões e tempo de análise
A redução do estoque ocorre com um aumento no número de benefícios concedidos. De janeiro a julho de 2026, o instituto concedeu média de 730 mil benefícios por mês, número 67% superior ao mesmo período de 2022. O tempo médio de análise atual é de 35 dias, variando por categoria: salário-maternidade (11 dias), benefícios por incapacidade (30 dias), aposentadorias (33 dias) e benefícios assistenciais (65 dias). Os assistenciais demoram mais devido à necessidade de perícia médica e avaliação biopsicossocial.
Se o governo confirmar a zeragem efetiva da fila, o placar de propostas econômicas totalmente cumpridas subirá para 6 contra 2.
