O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionou neste sábado, 10, a origem dos recursos e os alvos do plano de corte de gastos defendido pelo candidato Flávio Bolsonaro (PL), medida apelidada de “tesouraço”. Durante um ato de campanha em Natal, no Rio Grande do Norte, o petista instou a população a debater a pauta: “É preciso que a sociedade comece a se perguntar de onde é que vai ser esse corte”, declarou.
No evento, que contou com a presença da atual governadora Fátima Bezerra e de Cadu de Lula (PT), candidato ao governo do estado no segundo turno, o presidente fez duras críticas à proposta. “Ninguém que é contra o povo pobre, que quer fazer tesouraço para cortar dinheiro do Bolsa Família, do Minha Casa, Minha Vida, do Farmácia Popular, dos institutos federais, do Pé-de-Meia, pode voltar a governar o país”, afirmou.
Por meio de uma rede social, Lula desafiou diretamente o adversário. Na publicação, o candidato questionou se o montante de 250 bilhões de reais que pretende ser cortado virá de programas sociais e se os recursos sairão do bolso dos ricos ou dos pobres. “Eu e o povo queremos saber: de onde você vai cortar R$ 250 bilhões com o tesouraço? Todo mundo conhece essa conversa. Já vimos esse filme com vocês. Não permitiremos que a classe trabalhadora e as pessoas que mais precisam sejam prejudicadas”, escreveu.
A proposta de Flávio Bolsonaro consiste em um corte drástico de despesas públicas, prevendo a eliminação de no mínimo dez ministérios, além da redução de cargos comissionados e de gastos administrativos. Embora o senador negue que os cortes atingirão programas sociais, o seu plano de governo não detalha quais pastas seriam extintas nem o valor total exato dessas economias.
Durante a passeata, Lula também abordou temas de política externa e símbolos nacionais ao beijar uma bandeira do Brasil e criticar a ligação da família Bolsonaro com os Estados Unidos, alegando que o “outro lado” beija a bandeira norte-americana.
O presidenciável ainda apelou aos eleitores para que mobilizem a abstenção no segundo turno, pedindo que convençam os eleitores mais velhos a comparecerem às urnas. “Você tem que dizer para eles ‘se o Lula tem 80 e é candidato, porque que você com 70 não pode ir votar?’”, pontuou. As declarações surgem após o primeiro turno, realizado no último domingo, 4, ter registrado a maior taxa de abstenção desde 1998, com 33 milhões de brasileiros ausentes, o que corresponde a 21,08% do eleitorado.
