Durante o debate da TV Globo realizado na noite desta sexta-feira (23), o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) relembrou a morte da menina Ana Clara, ocorrida em 2021 por causa de uma bala perdida em Niterói, no Rio de Janeiro. Lula questionou o senador Flávio Bolsonaro (PL) a respeito do seu envolvimento com o caso e por ter integrado a defesa de Bruno Dias Delaroli, cabo da Polícia Militar do estado e suspeito pelo disparo.
"Por que um senador evita que um policial assassino, que era para ser julgado, não fosse julgado? O que leva um senador a defender um policial que deu tiro de fuzil numa menina de 5 anos?", questionou o petista durante o encontro.
Em sua resposta, Flávio Bolsonaro declarou que o falecimento da criança aconteceu durante uma "troca de tiros" e afirmou também ter interesse em identificar o autor do disparo, sustentando a crença de que o tiro não partiu do policial. O senador expressou solidariedade a Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara, que acompanhava o debate na plateia a convite de Lula. "Quero prestar minha solidariedade, foi uma tragédia, não consigo imaginar o que é perder uma filha de 5 anos. Quero ajudar a senhora a descobrir quem foi autor desse disparo, porque acredito que não tenha sido esse policial", afirmou o parlamentar.
Flávio também defendeu sua atuação na advocacia de Delaroli e pontuou que o agente não foi condenado pelo homicídio, rebatendo as acusações de Lula. "Você não pode criminalizar a advocacia, Lula. Nem teve julgamento, você já condenou o cara", declarou.
De acordo com denúncia do Ministério Público, em 2021 o policial efetuou disparos com um fuzil calibre 7,62 em direção a um local de intensa circulação de pessoas na comunidade Monan Pequeno, sendo acusado de homicídio qualificado com dolo eventual. Na época, a juíza Nearis dos Santos apontou em decisão que não havia indícios de tiros disparados por traficantes antes da ação de Bruno. O PM nega a autoria do tiro que vitimou a criança.
A Justiça fluminense determinou que o réu vá a júri popular. Os advogados do policial, incluindo Flávio Bolsonaro, recorreram ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que rejeitou o recurso por 3 votos a 2. Atualmente, Bruno responde em liberdade e o julgamento está agendado para maio de 2027.
Último debate antes do segundo turno
O confronto televisivo desta sexta-feira foi o último embate entre os candidatos antes do segundo turno das eleições 2026, marcado para o próximo domingo (25). A mediação ficou a cargo do jornalista César Tralli, com foco no aprofundamento das propostas governamentais dos candidatos por meio de perguntas diretas.
Conforme informações da emissora, o formato, a estrutura do cenário e a disposição dos candidatos foram planejados para apoiar esse objetivo. O programa foi dividido em quatro blocos de perguntas, respostas e considerações finais, sendo três blocos baseados em temas determinados e um de tema livre. A ordem das questões foi estabelecida por sorteio ao vivo conduzido pelo apresentador.
