O presidente Lula utilizou a Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira, como um palanque de campanha. Candidato à reeleição, o petista adotou uma estratégia semelhante à de Jair Bolsonaro, que em 2022 — quando tinha Lula como adversário — também fez propaganda eleitoral na tribuna internacional. A fala misturou pautas diplomáticas e temas domésticos, incluindo recados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Logo no início de seu pronunciamento, Lula apresentou-se como um operário eleito três vezes presidente e responsável por retirar o Brasil do Mapa da Fome. Em seguida, alertou que a democracia está novamente em risco e criticou a ingerência externa em processos eleitorais, mencionando supostas tentativas do governo de Donald Trump de influenciar o pleito para o Planalto a fim de beneficiar Flávio Bolsonaro.
"Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. Não subestimamos o desafio das redes de desinformação que pretendem desvirtuar o debate público durante a campanha… Teremos um pleito transparente e competitivo [...] Sabemos que alguns abusam dessa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país", declarou o presidente.
Durante o discurso, o petista também introduziu propostas voltadas à sua campanha, como o fim da escala 6x1 para assegurar dois dias de descanso por semana aos trabalhadores, medida que, segundo ele, ajudaria a aliviar a sobrecarga doméstica das mulheres.
Diante do debate sobre segurança pública, Lula abordou a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos, tema que impacta o cenário político e favorece a campanha de Flávio Bolsonaro. O presidente destacou ações governamentais recentes:
- Em 2025, foi realizada a maior operação contra o crime organizado da história do Brasil.
- A Lei Antifacção aprovada recentemente impõe penas superiores às do terrorismo.
- O Brasil mantém preparo para enfrentar organizações criminosas, sem terceirizar a defesa das fronteiras.
"Em 2025, realizamos a maior operação contra o crime organizado da história do Brasil [...] A Lei Antifacção que acabamos de aprovar impõe ao crime organizado penas superiores às previstas para o terrorismo. Crime organizado e corrupção andam juntos", afirmou Lula. Ele ainda criticou a presença de forças militares dos Estados Unidos na região e defendeu a soberania nacional, mencionando a proposta entregue pessoalmente ao presidente norte-americano para combater a lavagem de dinheiro no exterior e o fluxo de armas e recursos ilícitos.
O petista também criticou as tarifas impostas por Donald Trump à economia brasileira, embora tenha ressaltado que o país baterá um novo recorde de exportações no ano. Além disso, rechaçou o negacionismo, defendeu que os mais ricos financiem a redução da desigualdade e da fome, criticou sanções dos Estados Unidos contra Cuba e Venezuela, e pontuou a importância do multilateralismo e da paz mundial.
O histórico da tribuna da ONU registra que, em 2022, Jair Bolsonaro também aproveitou o espaço internacional para discursar sobre a corrupção nos governos petistas e a atuação do STF que anulou os processos contra Lula. Na ocasião, a imprensa estrangeira destacou o viés eleitoral da manifestação de Bolsonaro.
