A produção de azeite na Faixa de Gaza enfrenta um cenário crítico marcado por pomares arrasados, árvores derrubadas e restrições de acesso impostas por tropas israelenses. O agricultor palestino Haidar Abu Middain, de 60 anos, relata que sua família possuía um pomar de 900 dunums — cerca de 90 hectares — na região central de Gaza, que contava com cerca de 1.500 toneladas de azeitonas na colheita anual. Atualmente, quase metade da área está situada além da chamada "linha amarela", sob vigilância militar que impede o acesso dos palestinos a dois terços do território, enquanto a outra metade sofreu destruição severa por tratores, restando apenas 20 ou 30 árvores de pé.
Segundo as autoridades agrícolas locais, o território contava com cerca de 2 milhões de oliveiras antes dos conflitos, número que despencou para apenas 150 mil. A previsão aponta para uma colheita de aproximadamente 5 mil toneladas de azeitonas, valor muito abaixo das 40 mil toneladas habituais, gerando cerca de 700 toneladas de azeite em comparação às 5 mil toneladas produzidas normalmente.
O impacto também atinge a economia e o abastecimento interno. Com a escassez, o preço do azeite nos mercados locais disparou para cerca de US$ 500 por barril, o equivalente a três vezes o valor praticado antes da guerra. Dados oficiais indicam que apenas sete prensas de azeite continuam em operação na região, ante o total de cerca de 40 existentes anteriormente, operando com dificuldades para atender à população.
Trabalhadores e moradores locais relatam as dificuldades impostas pela nova realidade econômica e agrícola. Ahmed Khader, de 38 anos, aponta que a temporada de colheita costumava garantir empregos de dois a três meses, ao passo que hoje em dia restringe-se a diárias esporádicas. Em Deir al-Balah, uma área central considerada segura e não invadida durante o conflito, algumas famílias ainda tentam realizar a colheita em pequenos olivais remanescentes para garantir o sustento e a subsistência básica.
