Mais de 100 pessoas afirmam ter sofrido lesões cerebrais de diferentes graus após utilizarem a montanha-russa X2, localizada no parque Six Flags Magic Mountain, no sul da Califórnia, nos últimos dois anos. As novas alegações vêm à tona na sequência de uma investigação publicada no mês passado, que associou a atração a ferimentos severos e a mortes.
Em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (22), o advogado civil Christopher Bulone declarou que a empresa assumiu riscos com a vida dos frequentadores. Durante o evento, foram anunciados três novos processos contra a companhia na semana. A X2 destaca-se como uma das principais atrações do parque, atraindo visitantes globais por contar com assentos rotativos, quedas quase verticais e trajetos imprevisíveis.
Embora relatos de passageiros feridos remonte a mais de uma década, os casos permaneceram majoritariamente sob sigilo até a repercussão da reportagem, que documentou mais de uma dúzia de relatos de ferimentos graves e internações, incluindo ao menos duas mortes. Em julho, duas mulheres receberam atendimento na mesma emergência em Santa Clarita após irem na atração com um intervalo de apenas seis dias.
Novos processos e relatos médicos
Representantes jurídicos afirmam agora representar mais de 100 clientes que relatam traumas cerebrais decorrentes de idas à X2 nos últimos dois anos. Os advogados também mencionaram centenas de outros relatos recebidos, embora alguns casos tenham sido desconsiderados devido a prazos de prescrição, ferimentos não relacionados ao cérebro ou ausência de comprovantes de atendimento médico.
Dois dos processos ajuizados na segunda-feira (21) trazem detalhes de passageiros previamente abordados pela reportagem. Os documentos jurídicos alegam que dirigentes da Six Flags possuíam amplo conhecimento sobre os riscos da atração e que a operação não deveria ter sido mantida. Entre os casos está o de Naomi Greer-Wilkinson, de 26 anos, que desmaiou após sair do brinquedo e precisou passar por cirurgia cerebral de emergência devido a uma lesão cerebral traumática grave. Seus pais, Joshua Wilkinson e Artemis Greer, questionam a continuidade do funcionamento da montanha-russa.
Pamela Guillen, de 40 anos, também desmaiou após o percurso e foi submetida a uma cirurgia de urgência. De acordo com um e-mail analisado, cirurgiões apontaram que as lesões decorreram de um evento traumático de rápida aceleração e desaceleração vivenciado no brinquedo. Guillen relatou que precisou reaprender a falar e caminhar, e que ainda enfrenta fortes dores de cabeça, névoa cerebral e necessidade de medicação contra convulsões. Sua filha, Camille Marquez, também estava na atração.
Em um terceiro processo apresentado na segunda-feira, o advogado de Los Angeles Michael Wilk afirmou ter sofrido um grave sangramento cerebral que demandou múltiplas cirurgias após andar na X2 em fevereiro. Wilk relatou incapacitação, dores de cabeça intensas, perda de memória e incapacidade de continuar exercendo a advocacia.
Posição da Six Flags e histórico da atração
Questionada, a Six Flags recusou-se a comentar os novos processos em andamento. Anteriormente, a empresa limitou-se a informar que a atração permanece fechada. Em contestações judiciais passadas, a companhia defendeu-se alegando que há avisos explícitos aos visitantes sobre riscos inerentes aos brinquedos de parques de diversões e que a X2 é testada regularmente, sustentando que as forças físicas do percurso não seriam suficientes para causar lesões cerebrais em passageiros comuns que sigam as instruções.
O advogado Timothy Loranger, que representou a família de Christopher Hawley (jovem de 22 anos que morreu de lesão cerebral traumática após ir na X2 há quatro anos), informou que novos clientes procuraram seu escritório. Entre os casos há relatos de concussões graves, sangramentos cerebrais e a situação da família de um jovem que teria falecido após andar na atração no fim de 2025, representando a vítima mais recente entre pelo menos três mortes atribuídas ao brinquedo.
A X2 utiliza tecnologia de "quarta dimensão", com assentos que giram 360 graus ao redor dos trilhos e velocidades de quase 130 km/h (cerca de 80 milhas por hora) durante aproximadamente dois minutos. Apesar de alertas de visitantes e especialistas, a atração continuou aberta até a noite de 12 de julho, quando foi fechada por um porta-voz do parque, quase um dia após o incidente mais recente, sem explicações detalhadas sobre o motivo.
A Divisão de Saúde e Segurança Ocupacional da Califórnia, órgão regulador estadual, não respondeu aos pedidos de comentário sobre as novas alegações e histórico de lesões, informando apenas que uma inspeção segue em andamento. O advogado Gary Dordick, que também representa mais de 100 novos clientes, afirmou que várias vítimas comunicaram os ferimentos à administração da Six Flags.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/montanha-russa-lesoes-cerebrais-eua/
