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Mais de 62% dos eleitores brasileiros no exterior faltam ao 1º turno

Mais de 62% dos eleitores brasileiros aptos a votar no exterior faltaram ao 1º turno das eleições, com alta abstenção nos Estados Unidos motivada pelo temor da imigração.

Redação•05 de out. de 2026, 09:12
Mais de 62% dos eleitores brasileiros no exterior faltam ao 1º turno
Imagem: site

Mais de 62% dos eleitores brasileiros no exterior faltam ao 1º turno

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Mais de 62% dos eleitores brasileiros aptos a votar fora do país não compareceram às urnas no domingo (4) para o primeiro turno das eleições, conforme dados divulgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O total de cadastrados no exterior é de 916.534 pessoas, representando pouco mais de 0,5% do eleitorado total do Brasil, que é estimado em cerca de 158,7 milhões de cidadãos. Do total de aptos no exterior, 341.766 compareceram, o que equivale a 37,31%, enquanto 574.345 optaram pela abstenção.

No exterior, a votação restringe-se ao cargo de presidente, distribuída em 1.351 seções por 186 cidades. Os Estados Unidos lideram com 28,89% do eleitorado externo, seguidos por Portugal, com 14,67%, e pelo Japão, que concentra 9,62%.

Resultado da votação e candidatos

Foram computados cerca de 330 mil votos válidos, acompanhados de 5.816 votos brancos (1,7%) e 5.068 nulos (1,5%). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderou com 47,6% (157.387 votos), seguido por Flávio Bolsonaro (PL) com 43,5% (143.900 votos). Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) registraram 9.734 (2,94%) e 8.580 (2,59%) votos, respectivamente. Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) alcançaram a faixa de 1%, somando 4.708 e 3.329 votos cada um, com os demais candidatos pontuando em 1% ou menos.

Abstenção recorde e medo de imigração nos EUA

Nos Estados Unidos, a taxa de abstenção atingiu 71,55%, superando os 63,36% observados no primeiro turno de 2022, segundo levantamento da CNN Brasil baseado nas informações do TSE. Com a apuração finalizada em todas as 11 jurisdições norte-americanas (Atlanta, Boston, Chicago, Hartford, Houston, Los Angeles, Miami, Nova York, Orlando, São Francisco e Washington), 189.633 dos 265.022 eleitores cadastrados faltaram, resultando em 75.389 votantes.

Em Nova York, a ausência subiu de 59,49% em 2022 para 73,98%, onde 10.134 votaram e 28.819 se ausentaram dos 38.953 inscritos. A maior abstenção no país ocorreu em Hartford (Connecticut), com 78,75%, seguida por Chicago (77,68%) e São Francisco (74,85%), enquanto Boston teve o maior volume absoluto de faltosos, com 36.968.

O aumento de 8,19 pontos percentuais na abstenção norte-americana está ligado ao receio de brasileiros em situação migratória irregular de se depararem com agentes do ICE (a polícia de imigração dos EUA) nos locais de votação. Antes do fechamento das urnas, o cônsul-geral de Nova York, embaixador Adalnio Ganem, apontou que a preocupação com a segurança dos não documentados poderia gerar uma abstenção superior. Associações da comunidade também contataram consulados para relatar o temor de ações do ICE, e em Nova York a distância até o local de votação — transferido de Manhattan para um campus universitário no Queens — também foi citada como entrave.

Regras e obrigatoriedade

O voto no exterior é obrigatório para os eleitores aptos, o que significa que devem retornar para o segundo turno em 25 de outubro. A obrigatoriedade aplica-se aos alfabetizados entre 18 e 70 anos, sendo facultativo para jovens de 16 e 17 anos, maiores de 70 anos e analfabetos.

Para participar, o brasileiro precisa ter domicílio eleitoral fora do país na Zona Eleitoral do Exterior, gerida pelo TRE-DF (Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal), e não apenas residir no exterior com o título vinculado ao Brasil. O prazo para regularização de pendências encerrou-se em 6 de maio para as eleições de 2026. Viajantes em trânsito no dia da votação não podem utilizar seções no exterior, visto que o voto em trânsito internacional não é permitido.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/votos-exterior-primeiro-turno/

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