O juiz da 1ª Vara do Júri de São Paulo, Gustavo Ormenese, marcou para os dias 11, 12 e 13 de maio de 2027 o julgamento popular de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como líder máximo do Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação diz respeito a homicídio contra um policial militar e tentativa de assassinato de outro agente da PM em 2006, em Jundiaí (SP).
Detalhes do crime e acusação
Segundo a acusação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), o PM Nelson Pinto foi atingido por um tiro na cabeça por volta das 23h30 do dia 12 de maio de 2006, na rua Senador da Fonseca, em Jundiaí. Outro policial foi alvejado por oito disparos, mas sobreviveu. A denúncia do MP-SP afirma que os ataques foram ordenados por Marcola e por Júlio César Guedes de Moraes, o Carambola, ambos líderes do PCC.
O documento de 35 páginas, apresentado em 4 de setembro de 2006, destaca que a ordem era para que os membros da facção matassem policiais, civis e autoridades a partir de 12 de maio de 2006 em São Paulo. O boletim de ocorrência registrou que os policiais estavam em patrulhamento quando foram cercados por indivíduos em quatro motos, que atiraram contra a viatura.
Defesa contesta demora no julgamento
A defesa de Marcola, representada pelo advogado Bruno Ferullo, argumenta que o julgamento, marcado para 21 anos após os fatos, viola a garantia constitucional da razoável duração do processo. Ferullo afirmou que Marcola nega a autoria dos crimes e confia que poderá apresentar sua defesa no Tribunal do Júri, mantendo a presunção de inocência até então.
O processo, que já ultrapassa 10 mil páginas, teve a denúncia oferecida em 2006, mas a sessão de julgamento só foi designada para 2027. Em 2019, o processo foi transferido para outra comarca por questões de segurança. Em 2023, a Justiça paulista reconheceu o excesso de prazo no julgamento.
